…e na Ásia acabarás.
Assim será com o campeonato mundial de Formula 1 de 2010, julgado por muitos como o mais equilibrado de todos os tempos. Iniciado na metade de março, no deserto do Bahrein, o campeonato organizado pela FIA de Jean Todt e pela FOM de Bernie Ecclestone se findará na segunda Daynight* Race da história, em Abu Dhabi, que se não fascina pelo circuito insosso, certamente atrai os olhos para sua opulência regada ao mais fino petróleo árabe.
Antes desse último stint de 5 corridas, quatro na Ásia e uma perdida no Brasil, o SportsTour leva até você um especial com os cinco postulantes ao título, um recap da temporada marcada pelo equilíbrio, pelo novo sistema de pontuação e pela inesquecível prova de Hockenheim e sua não menos imemorável (falta de) conseqüência.
Preparados? Readers, start your engines!
Mark Webber – Red Bull Renault
Líder do campeonato, 187 pontos, 4 vitórias
O australiano desembarcou em baixa na equipe austríaca em 2007, após duas temporadas na Williams, para ser companheiro de equipe do veterano David Coulthard. Em 2009, seria o “mentor” do gênio indomável, Sebastian Vettel, cria do pessoal de Mastechitz, talento em potencial, cabeça fraca.
Webber venceu suas primeiras duas corridas ano passado, em Nurburgring e Interlagos, terminando o campeonato em 4º. Para esse ano, Webber voltou melhor do que nunca. Após um inicio fraco no Bahrein e uma prova decepcionante em casa, fez a pole e terminou em segundo na Malásia, iniciando aí uma arrancada que o levou ao topo da tabela.
São 4 vitórias, em Barcelona, Monte Carlo, Silverstone e Budapeste, e poderiam ser cinco, caso Vettel não tivesse forçado aquela ultrapassagem catastrófica em Istambul. Somando a isso os segundos-lugares de Spa-Francorchamps e Kuala Lampur, e o terceiro lugar na mesma corrida da Turquia, Webber hoje lidera o campeonato, ao fim da temporada européia, com meros 5 pontos de vantagem para o segundo colocado.
Há de se destacar a coragem de Webber em peitar a equipe, que claramente tinha em Sebastian Vettel seu primeiro piloto. No entanto, sua falta de erros (foram dois até agora: na Austrália e em Valência, quando decolou com seu bólido) em contrapartida aos cometidos em dúzias pelo jovem alemão podem fazer a Red Bull mudar de idéia para essa reta final do campeonato.
Dados da temporada: Fez a pole na Malásia, Espanha, Mônaco, Turquia e Bélgica; É o piloto com mais vitórias na temporada (4); Só não completou uma corrida (Valência).
Lewis Hamilton – McLaren Mercedes
Vice líder com 182 pontos, 3 vitórias
Com um título no currículo e uma pilotagem de dar gosto aos olhos, Lewis Hamilton busca o bicampeonato num ano de 2010 que, para ele e a sua equipe, está sendo infinitamente melhor do que o fraco 2009 apresentado pela McLaren.
Para Hamilton, sua evolução é o fator chave que o leva a disputar esse mundial. O inglês, que surpreendeu o mundo duplamente em 2007 – primeiro ao liderar o campeonato e quase garantir o título e depois por perdê-lo de forma impressionante – se mostra muito mais maduro, muito mais focado, e os quatro anos de experiência na principal categoria do automobilismo mundial parecem ter acabado quase que inteiramente com seus erros estúpidos.
Assim como Webber, Hamilton começou o ano atrás de seu companheiro de equipe. Foi terceiro colocado no Bahrein, ficou fora dos cinco melhores colocados na Austrália e na Malásia, e foi o segundo na dobradinha da McLaren na China. Viu Button abrir duas vitórias a zero, mas não se abateu, foi pra cima e agora já ultrapassou o companheiro nesse quesito: 3×2.
O problema de Lewis – assim como o de Button e da Ferrari – é o fator Red Bull, incontestavelmente o melhor carro da temporada, mas que até agora não conseguiu capitalizar essa vantagem em uma confortável liderança no mundial, tanto de pilotos quanto de construtores.
Após um abandono em Monza, Hamilton perdeu sua liderança para Webber, mas pode retomá-la caso vença em Cingapura. Aliás, das últimas cinco pistas do ano, excluindo a prova inédita da Coréia do Sul, Hamilton vem de um bom retrospecto. Em 2009, venceu Cingapura, fez pole mas foi forçado a abandonar em Abu Dhabi e chegou em terceiro, tanto em Suzuka quanto em Interlagos.
Dados da temporada: Vitórias em Montreal, Istambul e Spa-Francorchamps; segundo lugar na China, em Valência e em Silverstone; terceiro colocado em Sakhir; Fez a pole no Canadá, oitava etapa do campeonato, se tornando o primeiro piloto a quebrar a série da Red Bull (posteriormente igualado por Alonso); Pontuou em todas as corridas que terminou; Abandonou em Barcelona (quebra de suspensão), Budapeste (problemas hidráulicos) e Monza (bateu com Massa e quebrou a suspensão). É o piloto que mais liderou a contenda até agora.
Fernando Alonso – Ferrari
Terceiro colocado, 166 pontos, 3 vitórias
Primeiro vencedor da temporada, as pretensões – e olha que não são poucas – do espanhol da Ferrari esbarram na competitividade do próprio carro que, após um começo fraco, ganhou rendimento e vem brigando de igual contra McLaren e Red Bull.
No entanto, se vier a conquistar o campeonato, toda a habilidade de Alonso como piloto será esquecida, e imediatamente o controverso episódio de Hockenheim – quando deu piti ao rádio e venceu graças a um jogo de equipe – será trazido à tona outra vez.
Dentro da pista, contudo, Alonso cometeu poucos erros, embora alguns fatais, como a queimada de largada na China, a cortada de caminho na Inglaterra e o acidente na Bélgica. Exímio condutor, Alonso deveria se focar mais em sua pilotagem do que nas besteiras que fala. Na minha opinião, está fora da briga pelo título, também devido ao fato de estar próximo de usar seu último motor disponível, o que acarretaria em uma punição de perda de posições (10) no grid de largada.
Dados da temporada: Três vitórias, em Sakhir, Hockenheim e Monza; Segundo lugar na Espanha e na Hungria; Terceiro no Canadá. Com exceção de Silverstone, pontuou em todas as corridas que completou, abandonando na Malásia (motor) e na Bélgica (acidente). Com a pole em Monza, se tornou apenas o segundo piloto a largar de primeiro e não pilotar para a Red Bull Racing.
Jenson Button – McLaren Mercedes
Quarto colocado, 165 pontos, 2 vitórias
Atual campeão do mundo, dono de uma tocada clássica, menos agressiva, mais conservadora, mas nem por isso menos eficiente, Jenson Button mostra que é sim um piloto de ponta, capaz de brigar pelo topo da tabela – inclusive liderou o campeonato, quando este estava no início.
A verdade é que Button não erra. Pode sofrer com um carro menos competitivo do que as Red Bull, mas mesmo assim não erra. Esse ano, seus únicos abandonos se deram por erros de terceiros: de um mecânico, em Monte Carlo, e de Sebastian Vettel, em Spa.
Se, por um lado, o segundo lugar no GP da Itália tecnicamente o recolocou de volta na briga pelo campeonato, creio que Button não é um dos favoritos. Sua única chance é contar com a sorte, os erros dos adversários e sua condução limpa, por vezes conservadora.
Dados da temporada: Venceu na Austrália e na China, ambas sob condições climáticas instáveis; Segundo lugar no Canadá, em Monza e na Turquia; Completou o pódio em Valência; Outro piloto que pontuou em todas as corridas que completou, saindo zerado do final de semana em Mônaco, quando teve sua corrida interrompida pelo superaquecimento causado por uma tampa esquecida no Duto-F de seu McLaren e em Spa, quando vinha em segundo e foi atingido por Vettel.
Sebastian Vettel – Red Bull Renault
Quinto colocado, 163 pontos, 2 vitórias
Ainda não se sabe quem vai ser o grande vencedor da temporada de 2010, mas provavelmente Vettel será apontado por muitos como o grande perdedor.
Vice campeão do último ano, Vettel chegou para essa temporada como um dos favoritos. Afinal, se ele chegou a vencer corridas com a modesta Toro Rosso, com uma confiável e evoluída Red Bull poderia levar o título com facilidade. Certo? Errado.
Vettel tropeçou em suas próprias pernas ao longo desse ano. Começou impecável, isso é verdade, com duas poles, mas a sorte lhe aplicou dois duros golpes logo no principio da temporada. No Bahrein, liderava facilmente quando um problema fez com que despencasse de primeiro para quarto. Na corrida seguinte, Vettel, saindo outra vez da pole, teve uma quebra nos freios e rodou quando outra vez liderava com folga. Na Malásia, veio a primeira vitória. E então a ascensão de Webber fez com que os erros se tornassem mais freqüentes.
Ocupando hoje apenas a quinta colocação do mundial, com remotas chances de titulo e acumulando episódios como os de Istambul, Silverstone, Hockenheim, Budapeste e Spa, resta a Vettel amadurecer, fortalecer seu psicológico para que enfim possa converter todo esse talento em vitórias e reais chances de ser campeão. Talvez em 2011…
Dados da temporada: Vitorioso na Malásia e no GP da Europa, Vettel fez a pole em Sakhir, Melbourne, Shangai, Silverstone, Hockenheim e Budapeste, sendo o piloto que mais saiu da primeira da posição no ano. Chegou em segundo em Mônaco e ainda subiu ao pódio como terceiro na Espanha, Alemanha e Hungria. Não completou as corridas da Austrália, graças a problemas nos freios, da Turquia, quando se enroscou com o companheiro Webber, e na Bélgica, quando arranjou problemas com Button, Liuzzi, teve o pneu furado, um fim de semana desastroso e acabou em 16º.
_____________________________
Assim se encerra o review do SportsTour da temporada e preview para as corridas de Cingapura, Seul, Suzuka, Interlagos e Yas Marina, onde a temporada se encerra. Esperamos que tenham gostado.
ST Team!
* – Daynight: Corrida iniciada durante o dia que termina de noite. Embora Cingapura seja disputada em período noturno, ela inicia e termina à noite. Em Abu Dhabi, a largada é dada às últimas luzes do crepúsculo.



















