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Fator Bellucci

In tennis on 12/02/2010 at 11:18

Photo: Google Images

O Brasil nunca foi uma potência no tênis.

Sim, tivemos Maria Esther Bueno e Guga.

Mas não foram apenas 2 grandes atletas os responsáveis por fazer dos Estados Unidos uma potência na natação, do Canadá uma potência no hockey, da Romênia uma potência na ginástica, e nem do Brasil uma potência no futebol.

Levando em conta que o tênis feminino não nos traz uma grande jogadora desde, bem, desde a própria Maria Esther Bueno, nossas esperanças de ver alguém deslanchar no esporte resumem-se basicamente ao circuito masculino.

Guga foi um grande tenista. Facilmente você pode vê-lo em listas dos 15, 20 melhores tenistas de todos os tempos, atrás das escolhas óbvias de Nastase, Agassi, Sampras, Lendl, McEnroe, Edberg, Connors, Federer, Laver…nas mais diferentes ordens possíveis.

Um currículo admirável: 3 Grand Slams, todos conquistados no saibro de Roland Garros, 43 semanas como número 1 do mundo e o respeito e admiração de grandes tenistas e analistas do circuito.

As dores no joelho, seguidas de inúmeras contusões, acabaram por antecipar a aposentadoria do melhor tenista brasileiro de todos os tempos.

Desde então, nem um tenista foi capaz de recuperar a atenção que Guga despertava para o tênis.

Fernando Meligeni foi um bom tenista. Chegou a ser número 25 do mundo, e teve como maior vitória na carreira o ouro panamericano nos Jogos de 2003. Ainda assim, passou longe de ser considerado um grande campeão.

A bola da vez é Thomaz Bellucci. 2 títulos de ATP. O último deles conquistado a poucos dias, em Santiago, Chile. Com o título, Bellucci é agora o número 28 do mundo, melhor posição de sua carreira. 420 pontos o separam de entrar no Top 20 e ser o segundo brasileiro a alcançar este feito.

Não será fácil.

Bellucci hoje possui 1.351 pontos, e defende esta semana na Costa do Sauípe, 150 pontos.

Supondo que Bellucci defenda os pontos do vice-campeonato e ainda conquiste o torneio, e fique claro que tênis pra isso ele tem, Bellucci acrescentaria 100 pontos, e ficaria com 1.451.

Ainda distante dos 1.770 do atual número 20 do mundo, o russo Mikhail Youzhny.

Entretanto, há tempos não tínhamos tanto o que comemorar.

Bellucci é jovem, talentoso, e começa a mostrar uma maturidade não vista na maioria de seus jogos até ano passado. E o que pode ser um diferencial para um jovem que ainda aprende a lidar com a pressão de resultados: Bellucci não tem (pelo menos não ainda) a visibilidade de jovens como Marin Cilic e Gael Monfils, outros emergentes tenistas que se aproximam dos melhores do mundo.

Cilic vêm de uma belíssima campanha em Melbourne, onde esbarrou no britânico Andy Murray nas semifinais do torneio. Gael Monfils também já foi semifinalista de um Grand Slam, Roland Garros.

Não vejo Bellucci chegando em uma semifinal de um torneio deste nível tão cedo.

Mas isso pode ser bom.

Quem sabe comendo pelas beiradas o jovem tenista não ganha a confiança e a maturidade necessárias para se tornar um tenista competitivo também em eventos de primeiro nível.

O povo brasileiro já começa a se animar. E com toda razão.

O Brasil pode novamente ter um grande tenista da casa.

Tudo vai depender do “Fator Bellucci”.

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