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As quartas da Copa do Mundo

In futebol, World Cup on 02/07/2010 at 12:05

Eram dezesseis. Agora, com Coréia do Sul, EUA, Inglaterra, México, Chile, Eslováquia, Japão e Portugal se juntando aos eliminados na primeira fase, arrumam suas trouxinhas e voltam para seus países. Para eles, o sonho da África terminou. E acho que em nenhum doeu mais do que nos ingleses, para quem duas guerras mundiais e uma Copa do Mundo não adiantaram de nada. Restam agora, após as oitavas de final, oito times na disputa pela taça de campeão do mundo da Fifa. Desses oito, quatro sul-americanos – apenas o Chile, dos classificados pela Conmebol, já deu adeus ao mundial – causando uma supremacia jamais vista. Completam a lista das oito melhores seleções do mundo ainda três europeus e um africano. Sem mais delongas, vamos às análises dos quatro jogos que definirão os semi-finalistas do campeonato mundial.

Holanda vs. Brasil

Um clássico do futebol mundial que abre as quartas-de-final. Sexta-feira, 11 da manhã, como vocês já devem saber, já que jogos do Brasil resultam em feriados. Primeiro, um historical overview desse confronto. Brasil e Holanda já se enfrentaram três vezes em mundiais, com uma vitória para cada e um empate, que resultou com vitória brasileira nos pênaltis. A Holanda, como todos sabem, revolucionou o futebol com o carrossel da metade da década de 1970 – fazendo as duas finais de Copa desse período, em 74 e 78. E, se a Laranja Mecânica nunca mais voltou a uma decisão de Mundial, pode botar a culpa no Brasil. Em 1994, pelas mesmas quartas-de-final, Branco acertou aquele petardo que deu a vitória ao Brasil, 3-2. Se a Holanda tivesse vencido, duvido que teria parado na Suécia. Quatro anos depois, um dos jogos mais marcantes de todos os tempos. Após empate por 1-1 no tempo normal, a disputa por uma vaga na final foi decidida nos pênaltis. E deu Brasil, que acabaria perdendo por 3-0 para a França naquele jogo memorável.

Mas Rinus Michels e Cruyff são agora apenas pôsteres na parede de qualquer fã do bom futebol. O aqui e agora, para a Laranja que tenta voltar a ser Mecânica, um robô impiedoso que passa por cima de todos seus adversários, é a geração de Robben, Sneijder e Van Persie. Após o naufrágio diante da Rússia, na Euro-08, Van Basten caiu – e achei bom; ele era um excelente jogador, um dos melhores centroavantes de todos os tempos, mas como técnico deixava a desejar – e quem assumiu foi Bert Van Marwijk, que tinha como principal missão dar uma cara nova ao selecionado dos Países Baixos. E assim o fez. A Holanda agora não joga no ritmo da dança flamenca, que suponho eu que deva ter surgida na Bélgica, vizinhança, portanto. A Holanda não encanta nesse mundial. Mas joga como a Alemanha. Feio, mas vence. Fria e precisa, a Holanda tomou apenas dois gols nessa Copa do Mundo, e não fez outro resultado além de vitórias – passou por Dinamarca, Japão e Camarões na primeira fase e despachou de volta para Bratislava os eslovacos nas oitavas de final. Poderia prolongar essa análise, mas isso geraria descontentamentos. Portanto, sucintamente, digo que a chave da Holanda é o cerebral Sneijder – que deve ser marcado deslealmente por Josué amanhã – e a jogada típica de Robben, na qual ele corta para o meio e chuta. No entanto, a defesa laranja é péssima. Comparável a da Atgentina, com Demichelis, Heinze, Otamendi e Burdisso. E é bom não dar chances contra um ataque que tem Luís Fabiano e Robinho – que superam e muito Boulahrouz, por exemplo.

Já o Brasil… bom, é o Brasil, e isso já seria suficiente. Mas, como não sou superficial, aprofundarei no assunto. O Brasil tem a cara de Dunga. É truculento, com um meio de campo cheio de volantes, que deve ganhar ainda mais peças para marcar a intermediária talentosa da Holanda, deixando Kaká, Robinho e Fabiano no ataque. Tem a melhor defesa do mundo, ao contrário dos holandeses. É um time mais equilibrado, no papel, sem dúvidas. Dunga é eficiente, inegável. Mas o Brasil alterna bons e maus jogos. Péssimo contra a Coréia do Norte, ganhou de Costa do Marfim com louvor e empacou em Portugal. Nas oitavas, goleada sobre o Chile, o que não deve ser levado muito em conta, já que os chilenos são freguesia fiel. A chave para o Brasil sair vitorioso é apostar nos contra-ataques e explorar a fragilidade do sistema defensivo holandês, que nem de longe lembra os tempos em que era composto por Michael Reiziger abrindo pela direita, Frank de Boer e Jaap Stam dando segurança ímpar a Van der Saar e não me lembro quem era o lateral-esquerdo. Winston Bogarde, talvez?

Minha aposta: Dessa vez não escondo de ninguém. Sempre fui um fã tanto do futebol quanto da cultura holandesa, e desde a Euro-04 estou com a Holanda. Tive as duas camisetas que a Laranja usou na Copa de 2006, fora o modelito da Euro-08, estragado durante o trote esse ano. Chorei como nunca. Vou com a Holanda, portanto, imaginando que é o único time que pode impedir o hexacampeonato dos meninos de Dunga.

Uruguai vs. Gana

Mesmo não parecendo, dia 2 de julho terá outro jogo, às 15h30. Uruguai e Gana enfrentam-se pelo direito de disputar a terceira colocação no mundial, o que é uma puta duma honra, sem dúvida. Achar que Uruguai ou Gana podem derrotar o vencedor do outro jogo beira a ingenuidade; não há otimismo que chegue a tanto. O Uruguai, que antes eu disse que era o melhor time desde Francescoli, se mostrou o melhor time desde a geração de Ancheta, em 1970. Passou pela Coréia do Sul com dois gols do matador Suárez, que atua pelo Ajax, da Holanda. Mas tomou um certo sufoco, e não deve ter vida fácil contra a Gana do técnico Milovan Rajevac, a última esperança do continente africano de atingir uma inédita semi-final.

Pouco assisti o Uruguai nessa Copa. Falando a verdade, assisti aquele modorrento Uruguai vs. França, jogo no qual o futebol perdeu e também a vitória de 3-0 da celeste sobre os Bafana-Bafana. Forlan, na ocasião, jogou muito bem e foi decisivo. Agora, pelo que sei, joga mais recuado, não como centro-avante, mas quase como um armador, talvez. Tem a chance de obter um resultado igual ao da Copa de 70 – última grande participação uruguaia em mundiais – quando enfrentou o Brasil na semi-final.

Mas, para tal, além de contar com uma vitória canarinho mais cedo, o Uruguai precisa vencer a embalada Gana, que, se não encanta como as seleções africanas do principio da década de 90, vence. Gana eliminou os entusiasmados americanos nas oitavas de final, na prorrogação, com gol do artilheiro Gyan, possibilitando, assim, aos Black Stars, igualar as melhores campanhas africanas em mundiais, chegando às quartas assim como Camarões em 1990 e Senegal em 2002. Camarões acabou eliminado pela Inglaterra, e Senegal, pela Turquia. Ambos tinham mais time do que essa seleção de Gana, que vem para sua segunda Copa do Mundo. Poderão os Estrelas Negras escrever uma nova página na história do futebol africano?

Minha opinião: Tendo a ir com o Uruguai. Gana não me empolga – não joga um bom futebol, pelo contrário. Os dois gols que marcou na primeira fase foram de pênalti – incluindo um ridículo cometido por Kuzmanovic, da Sérvia. Além do mais, Gana eliminou dois dos três times que tinha dito que estava torcendo. Quero mais é que sejam eliminados.

Argentina vs. Alemanha

Se a manhã do dia 2 reserva o clássico entre Holanda e Brasil, a do dia 3 de julho não fica devendo em nada. Portanto, recomendo a todos os fãs de futebol que estejam de pé e a postos às 11 da manhã do domingo para prestigiarem um dos maiores clássicos do futebol mundial. Alemanha e Argentina escreveram juntas três páginas importantes da história dos mundiais. A primeira, em 1986, consagrou Maradona como o grande craque que ele foi, e culminou com o segundo título mundial da Argentina, com vitória por 3-2 na final sobre os germânicos. Eram dois timaços. A Argentina tinha Maradona e Valdano, e a Alemanha, Rummenigge e Matthaus. Quatro anos depois, os dois selecionados voltaram a se encontrar, e pela primeira vez uma final de Copa do Mundo se repetiu exatos quatro anos depois. Desta vez em solo italiano, a Alemanha de Brehme, Matthaus e Schumacher enfrentou a Argentina de Goycoechea, Maradona e Caniggia. A pior copa de todos os tempos terminou com o último triunfo alemão até agora, 1-0, gol de Brehme. Por fim, quatro anos atrás, na Copa da Alemanha, os dois se enfrentaram na mesmíssima fase de quartas-de-final. A Argentina saiu na frente, mas os alemães recuperaram o terreno perdido, Klose, o artilheiro, empatou o jogo, provocou a disputa por pênaltis, que terminou com a classificação da Alemanha para a semi-final.

Em 2010, Maradona reencontra a Alemanha, agora como treinador, com a missão de igualar seus feitos como atleta. A Argentina das eliminatórias, sob o comando de Diego Armando não empolgou, e não fosse Palermo, teriam ido para a repescagem, tal qual 1994. Mas, na Copa, deu liga, e a Argentina vem jogando um futebol de primeira. Embora a defesa seja fraca, como já disse anteriormente, o ataque é arrasador, e de ataque Maradona entende. Messi, Verón, Higuain, Diego Milito, Tevez, Di María, Aguero. Uma linha de frente respeitável, não? Higuain é o artilheiro do mundial, por enquanto, com quatro gols. Messi ainda não fez o seu, mas vem jogando demais. Tevez marcou um golaço contra o México (e um em posição de impedimento). “La Brujita” Verón arma jogadas como ninguém e, no banco, ainda tem Martin Palermo, amuleto do técnico. Nas oitavas, superou o México com uma incomum facilidade – e um gol irregular – por 3-1.

Joachim Low reinventou a Alemanha. Digo, reinventou com sucesso. Fabio Capello tentou reinventar a Inglaterra, mas falhou, e saiu da Copa pela porta dos fundos, após mais uma participação decepcionante do English Team. Já a Alemanha não. Diferentemente do tempo em que Bierhoff e Klinsmann eram referencia no ataque, e que a principal jogada era o cruzamento e a força defensiva, agora a Alemanha joga leve e solta, digo eu. Özil, o novo Overath, como disse Galvão Bueno, é um meia habilidoso, de origem turca, que dá a cadencia ao meio de campo e liga o ataque com precisão. Phillip Lahm, lateral que joga pelos dois lados do campo, apóia e chuta bem – foi dele o primeiro gol da Copa de 2006. Schweinsteiger segue à risca o manual de segundo volante: marca e sobe ao ataque. Também é um excelente chutador, talvez o substituto de Torsten Frings na seleção. Podolski, segundo atacante, é rápido, e não raro dá assistências para Klose, principal centroavante do time tedesco. Klose está machucado? Sem problemas, no banco, Low conta com Mario Gomez, um substituto a altura de Klose, Thomas Muller, que divide a artilharia do mundial, e o brasileiro naturalizado Cacau, que se joga pela Alemanha deve ser tratado como alemão. Ponto. Voltando ao esporte, a Alemanha apresentou um toque envolvente na estréia contra a Austrália, mas decepcionou contra a Sérvia. Venceu Gana e se classificou em primeiro do grupo. Nas oitavas, outro clássico, nova apresentação de gala. 4-1 sobre a Inglaterra, que teve um gol grotescamente ignorado pelo trio uruguaio. Resta saber se os germanos envolverão nossos “hermanos”, ou se serão envolvidos. Só para finalizar, caminho complicado, esse da Alemanha. Pode ser campeã só jogando contra velhos conhecidos: Inglaterra nas oitavas, Argentina nas quartas, Espanha na semi-final (reeditando a final da Euro-08) e Brasil ou Holanda na final. Vencendo todos esses adversários, com justiça a Alemanha poderá receber a alcunha de melhor time do mundo.

Minha aposta: Jogando como Argentina, a Alemanha vence merecidamente. Jogando como Alemanha, dá Argentina. É uma pena que esse jogo tenha de acontecer tão cedo.

Espanha vs. Paraguai

Por fim, terminando a fase de quartas, Espanha e Paraguai se enfrentam, dia 3, às 15h30, em um jogo interessantíssimo. O Paraguai sem Cabañas já faz sua melhor participação em copas do mundo, superando o tabu de nunca ter passado das oitavas. Já a Espanha tenta engrenar na competição – embora tenha vencido os últimos três jogos, não vejo os ibéricos tão temíveis assim – e superar sua melhor participação, que até agora foi a quarta posição, no Brasil, 60 anos atrás.

Assim como com o Uruguai, não acompanhei a participação paraguaia nessa Copa do Mundo. Assisti o jogo contra a Itália, mas não as partidas contra a Nova Zelândia ou a Eslováquia, por um motivo ou por outro. Também não assisti o duelo contra o Japão, mas, segundo informam minhas fontes, tal partida foi a cura para a insônia, de tão ruim que foi. Vi apenas os pênaltis, porque esses não tem como serem chatos. Mas Paraguai joga por Cabañas, acho que já disse isso, e agora faz o jogo mais importante de sua história, o duelo entre colonizador e colonizado. É difícil vencer a Espanha, sem dúvida. Mas a Fúria não é tão soberba assim, e a Suíça mostrou o caminho: os contra-ataques são a melhor arma contra a supremacia espanhola na posse de bola. Também cabe ao Paraguai não desgrudar de Iniesta e David Villa, assim como é imprescindível colocar um carrapato em Fernando Torres, atacante mais enfiado do time vermelho. Os espanhóis sempre tentam um último toque antes de finalizar, e raramente arrematam de fora da área. Além do mais, segurando a Espanha a paciência dos pupilos de Vicente del Bosque vai acabando, e aí é provável que Casillas seja o jogador mais recuado da Espanha, no círculo central. Um contra-ataque paraguaio pode ser mortal.

A toda-poderosa Espanha me decepcionou nesse mundial. Assim como acontece com a Inglaterra, a Espanha joga muito mais com nome do que com futebol, essa é a verdade. Dessa vez chegando à África do Sul como favorita absoluta, a Espanha tenta reverter a fama de amarelona. O time em si é genial, cheio de grandes nomes. Casillas, Puyol, Piqué, Sérgio Ramos, Xavi, Iniesta, Fernando Torres, David Villa, Busquets. E ainda tem como opções, no banco, Llorente, que fez uma ótima partida contra Portugal e Pedro, cria do Barcelona que adora fazer gols decisivos. Os blau-grenás, aliás, são a base desse time. E a seleção joga como o Barça, na base do bom toque de bola e das jogadas espetaculares. E esse é também o calcanhar de Aquiles da Fúria. A falta de chutes de fora da área limita muito as finalizações da Espanha, que prima para uma jogada bonita e difícil, ao invés de ir sempre para o lado mais simples. Os espanhóis parecem não entender que um chute de bico ou um gol de letra valem a mesma coisa. E gol é o que ganha jogo, não a plasticidade das jogadas. Não sei se há tempo de mudar a característica do futebol espanhol, e eles podem muito bem levantarem a taça, dia 11, jogando desse jeito. Mas que encontrará um caminho muito mais árduo, ah, isso sem dúvidas.

Minha opinião: A Espanha ganha, por 1 ou 2 a zero, e vai jogar a semi-final, quando perde para Argentina ou Alemanha. E volta para casa com mais uma decepção nas costas, deixando um zumbido de dúvida na orelha de cada espanholzinho, que mais uma vez se perguntará se um dia a Fúria será campeã do mundo.

Poderia falar sobre as semelhanças entre essa Copa e o Mundial de 2002, mas deixo para outro post. Finito.

ST Team!😉

  1. Se esse post estivesse aqui algumas horas mais cedo não teria perdido o derradeiro bolão, que alias agora está acumulado para sempre.😦

  2. It’s not my fault. Sou apenas um empregado aqui hahaha… Mas… já apostou nos jogos de amanhã?

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