cacwhere

As semifinais da Copa

In futebol, World Cup on 06/07/2010 at 01:00

Reprodução: Terra / Getty Images

Mais uma vez, quero pedir licença poética – e comercial – para falar com vocês, queridos leitores assíduos do Sports Tour. Hei de ser perdoado, novamente, mas acho que o CEO desse blog vai chiar, nem que seja um pouco, nem que seja com bom humor. Mas eu, como amante tanto do futebol quanto das palavras, não poderia evitar criar um post particular para os jogos entre Holanda-Brasil e Uruguai-Gana. Entendo que ele excede o limite de posts programados pelo Comandante da Nave Sports Tour, que não quer que a homepage seja bipolarizada com postagens sobre a Copa do Mundo e Wimbledon, entendo o lado dele, sem dúvidas que sim. Mas, como estamos em uma (falsa) democracia, TUDO PODE MUDAR. E para isso, apelo a vocês, queridos leitores, que fazem de nós dois jovens – eu mais jovem do que ele – bloguísticamente realizados. São quase 1,500 visitas, isso se esse numero já não tiver sido ultrapassado enquanto eu escrevo esse texto. Tenho certeza de que se vocês, leitores, escreverem nos comentários que querem sim ler o meu texto sobre o primeiro dia das quartas-de-final, tenho certeza de que o coração duro e cigano do meu querido Empregador irá mudar. Manifestem-se! Garanto que não irão se arrepender (ou não).

Agora, às semis!

Serão jogados, terça e quarta-feira, dias 6 e 7 de Julho, os últimos dois jogos antes da Grande Final do dia 11. No dia 6, às 15h30, na Cidade do Cabo, Uruguai e Holanda se enfrentam. Já no dia seguinte, no mesmo horário, para você que acessa o Sports Tour do Brasil, em Durban, a Alemanha pega a Espanha por uma vaga no “ultimate show” do Mundial da África do Sul.

Rapidinho, rapidinho, como manda a cartilha cacwhere de blogueiros esportivos, comentários sobre as duas partidas.

Uruguai v. Holanda

Mais um jogo histórico na conta da Copa da África. O heróico Uruguai, que surpreendeu o mundo (ok, exagerei) repete sua campanha de 1970, quando teve seu último grande time, e busca uma vaga na final pela primeira vez desde 1930 – vale lembrar que em 1950 foi disputado um quadrangular. Portanto, é valido dizer que a Copa do Brasil foi a única sem uma final – e tem, como último obstáculo, os bons holandeses. A verdade é que, se o Uruguai não encanta, Óscar Tabarez montou um time ajeitadinho, que joga sem se comprometer. Embora venha desfalcado do capitão e líder Diego Lugano – machucado, que deve ser substituído por Scotti – e do artilheiro e salvador da pátria Luis Suárez – suspenso por ter sido expulso num lance de muita coragem, e que deve ser substituído pelo herói da classificação, Sebástian Abreu – vejo que o Uruguai pode sim engrossar o caldo para cima da laranja. Claro, isso não significa em hipótese alguma que apostaria no Uruguai para fazer uma laranjada, mas que eles não vão vender fácil, não vão.

No jogo contra Gana pude constatar que Forlán jogou quase como um armador, buscando a bola dos volantes e conectando o ataque. No segundo tempo, também vi Suárez fazendo esse papel – o que não deve se repetir no jogo contra a Holanda, já que é de se esperar que Abreu fique na área, esperando cruzamentos de Forlán, Fucile e Cavani. Portanto o Uruguai perde um pouco em mobilidade. Já na defesa, acho que a falta de Lugano pode até ajudar o Uruguai. Sim, é isso mesmo. Não é segredo que Lugano é a encarnação do espírito porteño de jogar bola, constatado ao longo dos anos. Lugano, mesmo sendo muito habilidoso, bate. E contra um ataque rápido e técnico como o da Holanda, com Robben, Kuyt, Van Persie e Sneijder, isso poderia acarretar uma expulsão. E, com 10 em campo, seria praticamente impossível aos Cisplatinos buscar uma vitória. Terminando, o Uruguai é um time valente. Embora não tenha enfrentado grandes times – uma destroçada França, a pobre África do Sul, os acomodados mexicanos, a Coréia do Sul e a motivada Gana não são potências futebolísticas – o Uruguai joga por um nome e uma história. Muslera deve relembrar Mazurkiewics ao entrar em campo; Forlán, o herói Ghiggia; Scotti deve buscar inspiração em Hugo De León e Edinson Cavani, habilidoso meio-campista poderia rezar para jogar como Francescoli. Motivação do lado sul-americano não deve faltar. Tampouco empenho.

Oito participações em mundiais, quatro semi-finais e duas finais. Esse é o retrospecto da Holanda, que chegou como favorita no inicio do certame e continua, ainda mais, para essa semifinal. Vejamos. História a Holanda tem – pelo menos quatro grandes times, em 74, 78, 94 e 98. Material humano, também – uma linha de frente de dar inveja, com quatro avantes que se destacam em grandes times da Europa. Invencibilidade não é problema. Boa fase também não, já que os Laranjas venceram todos os cinco jogos que disputaram na África do Sul até agora. Por isso, a Holanda é mais do que favorita contra o Uruguai. Mas isso não seria o suficiente para vocês, fãs sedentos por conhecimento. Então vamos lá. A Holanda venceu um apático Brasil, e não importa em que circunstâncias, vitória é vitória e vice-versa. A defesa não comprometeu TANTO contra o ataque canarinho, e olha que ele é infinitamente melhor do que a linha de frente azul-celeste. Sneijder briga pela artilharia do mundial, e se ele conseguiu fazer da Internazionale campeã européia, consegue fazer jogar Robben, lá na frente. Kuyt joga quase como Forlán, como um meia de ligação, ofensivo, também. Van Persie é o ponto fraco do ataque holandês, digo-lhes. Correm boatos de que ele não joga, com o braço machucado. Talvez Huntelaar fosse uma boa opção para o jogo aéreo. Ou Elia, jovem e rápido atacante negro, que talvez um dia vá ser comparado a Patrick Kluivert. Mas Van Persie deve ir pro jogo também, então isso vai certamente preocupar os fãs da Holanda. Do meio para trás, admito, a seleção holandesa é pavorosa. Van Bommel me causa arrepios desde que jogava pelo Barcelona; Gio van Bronckhorst, em seus últimos jogos como profissional, é como todo lateral envelhecido: marca mal e apoia pior ainda. Como Van der Wiel está suspenso, Khalid Boulahrouz deve jogar pela direita. Já a defesa, com Ooijer e Heitinga deve enfrentar sérios problemas com Loco Abreu. Ou seja, é bom que o ataque resolva.

Meu palpite: Mesmo com problemas de defesa, a Holanda deve ganhar, 2-1, com certo sufoco. Aliás, não me surpreenderia se os uruguaios tomassem a ponta no placar e depois sofressem a virada. Pena que os sul-americanos vão jogar apenas para terminarem em terceiro lugar no mundial.

Alemanha v. Espanha

Opa, opa. Temos algo errado aí, diria alguém, vendo os jogos dessas duas seleções na Copa. A Alemanha vem jogando como a Espanha se propôs, e a Espanha vem decepcionando, mas avançando? Nossa. Mas é, é isso mesmo.

A Alemanha, que encantou o mundo com um futebol ofensivo e de toques rápidos e precisos contra a Austrália, na estreia, e decepcionou no jogo contra a Sérvia, voltou a encantar. A última vitima, a Argentina do técnico Maradona, que vinha bem cotada, tomou de quatro e se despediu humilhada do mundial. Qual o segredo da Alemanha, sábio mestre?, me perguntaram outro dia. Pois bem, jovem gafanhoto, respondi, enquanto acendia um incenso. A Alemanha ataca em bloco, e tem na criação dois excelentes jogadores, de modo que eu não via na seleção tedesca há muito tempo. Schweinsteiger e Mesut Özil colocaram a fraca defesa argentina no bolso. Bastian, do Bayern, joga com a cabeça erguida, e no terceiro gol alemão costurou a defesa adversária com maestria, antes de servir a Jabulani numa bandeija para Arne Friedrich. Özil é veloz e adora também deixar os companheiros na cara do gol. Mais à frente, Klose é matador. O polonês naturalizado sente o cheiro das redes, e está sempre bem posicionado para dar o último toque – não ocasionalmente, já deu o último toque em mundiais 14 vezes, apenas um a menos do que Ronaldo, sumo-goleador de mundiais. Mesmo sem a revelação do mundial, Thomas Muller, suspenso, e que deve ser substituído por Cacau, não acho que a Alemanha perca ofensivamente. Aliás, acho que pouco muda. Podolski continuará fazendo o seu papel, e a Alemanha segue forte. Na defesa, a Alemanha, mais uma vez, não compromete. Talvez o único elo… não digo fraco, mas sim mais ou menos, seja o goleiro Neuer, que não me convence de todo.

Já a Espanha não anda toda Furiosa assim. Ganhou no sufoco do Paraguai – com erros de arbitragem para os dois lados – e, para mim, perde essa semifinal contra a Alemanha. Fernando Torres não vem em uma boa fase. Fosse eu Vicente Del Bosque, escalaria Llorente. David Villa, futuro jogador do Barcelona, vem chamando a responsabilidade – e os gols – para si. Ele é um dos ‘3’ do engenhoso esquema 4-2-3-1 (argh), junto com Xavi e Xabi Alonso. Iniesta e Busquets jogam um pouco recuados, como volantes – mais Busquets do que Iniesta, já que este sai mais para o jogo. Assim como no jogo contra o Paraguai, a chance da Espanha ganhar é numa jogada individual. Se bem que a Alemanha é muito mais bem estruturada do que os paraguaios.

Meu palpite: Se a Espanha pode ganhar? Pode, claro. Tem talento o suficiente para isso, mas não me convenceu ainda nessa Copa, e o tempo tá se esgotando. Vou com a Alemanha, 2-0 ou 3-1, impondo seu melhor jogo à base do toque de bola – que é exatamente o que a Espanha planejava fazer. Aos espanhóis, restará disputar com os uruguaios sua melhor participação em um mundial – terceiro, superando o quarto lugar no quadrangular de 1950.

That’s it. Para todos os efeitos, fiquem ligados nas duas disputas. Tanto para saberem se esse humilde assistente de blogueiro dará palpites certeiros quanto para tirar uma com a minha cara a cada erro crasso cometido por mim.

ST Team!😉

  1. Como funcionou essa história de quadrangular da copa de 1950?

    • Então, Maicon, foi assim: Na Copa de 1950, os 13 times foram divididos em 4 grupos. A: Brasil, México, Yugoslávia e Suíça. B: Inglaterra, Chile, Espanha e EUA; C: Suécia, Itália e Paraguai e D: Uruguai e Bolívia. Os campeões dos quatro grupos – Brasil, Espanha, Suécia e Uruguai disputaram um quadrangular, todos contra todos. Quem somasse mais pontos era campeão.

      O Brasil fez 7-1 na Suécia e 6-1 na Espanha
      O Uruguai fez 2-2 com a Espanha e 3-2 na Suécia
      Espanha perdeu para o Brasil por 1-6 e da Suécia por 1-3

      Então a pontuação antes de Brasil v. Uruguai era +/- assim:

      Brasil, 4 pts
      Uruguai, 3 pts
      Suécia, 2 pts
      Espanha, 0 pt

      Por isso o Brasil jogava pelo empate. Faria 5 pontos e ficaria com o título. Mas o Uruguai venceu, foi ele a 5 pontos, deixando o Brasil com 4 e sagrando-se bicampeão mundial.

      Engraçado é que um calendário diferente poderia ter feito a “final” ser completamente diferente.

  2. que complicação haha

    obrigado pela resposta!

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