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The Heartbreak Kid

In tennis on 06/07/2010 at 22:15

US Open 2003

Na manhã do dia 05 de julho de 2010, Andy Roddick acordou em sua residência na cidade de Austin, estado americano do Texas , acessou o site da ATP – Associação de Tenistas Profissionais – e checou sua posição no ranking: 9º lugar.

Caíra duas posições ao não defender o vice-campeonato de Wimbledon, vencido por Rafael Nadal na noite de ontem.

Roddick olhou bem para o ranking. Viu o número nove do lado esquerdo de seu nome.

Número nove do mundo. Mesma faixa no ranking de 8 anos atrás. Esboçou um meio sorriso e suspirou.

O texto acima é, obviamente, apenas uma interpretação do ranking de Andy Roddick divulgado hoje pela ATP. Não saberia dizer se o americano se encontrava efetivamente em casa, nem mesmo se deu ao trabalho de conferir o ranking.

Roddick waves the USA flag

Há 10 anos, no ano de 2000, Andrew Stephen Roddick tornava-se profissional.

Como júnior número 1 venceu o Australian Open e o US Open. Assim chegou ao Top 200.

3 títulos em 2001, 2 em 2002 e 6 títulos no ano de 2003, entre eles o US Open e os Masters de Cincinnati e do Canada, colocaram o jovem americano como número 1 do mundo.

Os próximos 7 anos da carreira de Roddick vocês conhecem.

Mais 18 títulos, totalizando 29 ao todo, 3 Masters entre eles e 4 finais de Grand Slam.

As quatro perdidas para o maior nome desta geração, Roger Federer, homem que o derrotou na final do US Open 2006, e por 3 vezes, frustrando o americano naquele que é talvez o maior sonho de Roddick, na grama sagrada de Wimbledon.

Em 04 e 05, com Roddick ainda jovem, com certa facilidade e em 09, naquela que é possivelmente a final de Slam mais disputada de todos os tempos.

Flashes.

Roddick perdendo um voleio crucial que o daria uma dianteira de 2 sets, nenhuma quebra no saque do americano até o game derradeiro e as lágrimas.

“… but you had already won five!” – disse um emocionado Roddick para um vibrante Federer durante o discurso do suíço.

Um 16-14 consagrou – ainda mais – Roger Federer e deu a Roddick a alcunha de “Heartbreak Kid”.

Wimbledon 2009 / Reprodução: SI.com

“The heartbreak kid”, que, em uma de suas muitas traduções significa “garoto do coração partido”, sem sombra de dúvidas, é o apelido que melhor retrata a vida de Roddick nestes últimos 7 anos.

A grande esperança de um país.

O menino rebelde.

O melhor saque do circuito.

O lampejo.

O ‘Joga como nunca, perde como sempre’.

O freguês do Federer.

Cincinnati against Ferrer

São 8 anos consecutivos como Top 10. Um feito igualado apenas pelo próprio Federer.

Ainda assim um one-hit wonder?

Neste caso os números, creio eu, mentem. Ou pelo menos não dizem tudo.

Roddick não só é o jogador que mais disputou finais de Grand Slam entre os jogadores em atividade (desconsiderem Federer e Nadal), como é, também, o que possui o maior número de títulos.

Sim, nenhum deles, fora o US Open de 2003, é um Grand Slam. O segundo Grand Slam que quase veio ano passado e que este ano, por enquanto, passou longe.

Culpa de Federer e de suas 19 vitórias contra o americano? Talvez.

E o que dizer de suas últimas 4 derrotas em Grand Slam?

Desconsidere Roland Garros. Foram todas em 5 sets.

Mas não foi só Federer. Foi também Isner. Cilic. Lu.

Derrotas que doem, que machucam aqueles que sabem que Roddick pode e merece chegar lá. Pelo menos mais uma vez.

US' Davis Cup Team

O saque mais rápido do circuito.

O recorde de anos consecutivos como Top 10.

Um ex-número 1 do mundo.

São 3 finais de Wimbledon, quase 20 milhões de dólares em prêmios…

Que nada!

Andy Roddick é, até hoje, até que consiga novamente vencer um dos 4 maiores torneios do esporte, o ‘Heartbreak Kid’.

E Roddick, aos 35 anos, vencedor de X Grand Slam, mais de 30 títulos na carreira, fechou o site da ATP e suspirou. Se orgulhou de seus feitos, de suas muitas vitórias, de suas muitas derrotas.

Foi o homem da virada contra Nalbadian (US Open 03), o homem da nação contra Ferrero (US Open 03), o homem do quase contra Hewitt (Indian Wells 05), o homem da verdade contra Verdasco (Roma 05), o homem da desilusão contra Muller (US Open 05), o homem da vergonha contra Gasquet (Wimbledon 07), o homem da força contra Djokovic (Australian Open 09 ), o homem das lágrimas contra Federer (Wimbledon 09), o novo homem contra Nadal (Miami 10), o homem do ‘porquê?’ contra Lu (Wimbledon 10).

O homem que empunhou bandeiras, quebrou raquetes, xingou juízes, arrancou risadas, foi acima de tudo, Andy Roddick.

Assim, com um sorriso, Stifler deu um beijo de boa-noite em Brooklyn e dormiu. Feliz.

  1. Bela foto de abertura do post!

  2. The Heartbreak Kid « Sports Tour…

    I found your entry interesting do I’ve added a Trackback to it on my weblog :)…

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