cacwhere

O fim.

In futebol on 22/09/2010 at 00:59

O começo deste post é também o fim.

Porque depois de tudo que se vê, de tudo que se ouve, que se torce, que se gosta, não tem mais razão pra continuar. Quando os contras vencem os prós, a ética já se foi, não deixou recado e não se sabe quando vai voltar, é sinal de que já deu o que tinha que dar.

Se valeu a pena?

Valeu. Não tem porque mentir, dizer que não vibrei, que não curti. Sofri, claro. Como sofrem milhões de apaixonados por todo o canto do país e do mundo, cada um com sua cor, quente ou fria, manto, constelado ou não, mas isso já não importa mais.

O futebol, como qualquer outro esporte, não é diferente da vida.

Há um significativo bando de medíocres querendo deixar sua marca, apelando para todo tipo de subterfúgio para que ninguém se esqueça de sua existência, o que, claro, descobre-se um dia que foi em vão. Porque verdade seja dita, a mediocridade impera justamente pelo medo de ser bom demais – e ser combatido – ou ruim demais – e ser execrado. Os medíocres levantam do banco, aquecem, soltam palavras de incentivo aos que nos deixam, e saem do que chamam de vida, minutos depois, com suas frases de efeito explicando o insucesso, questionando as inverdades, porque de suas bocas não existem fracassos, não existem mentiras.

Os medíocres são aqueles seus amigos de escola que você não se lembra. Não são os populares moderninhos, nem os nerds das primeiras carteiras, tampouco os baderneiros do fundão; foram apenas números na caderneta de chamada de cada professor que passou pela sua vida. Essa, a de verdade.

Os medíocres não se distinguem por raça, sexo ou conta bancária, mas eles, normalmente, costumam levar isso em consideração. Para cada um deles, vende-se compaixão numa feira, empresta-se solidariedade a tarifas muito baixas e compra-se caráter numa liquidação. Esses eu costumo ignorar. Tento, ao menos. Até chegar o dia que de nenhum deles lembrarei mais.

No meio de uma porrada de bolas, tacos, luvas, carros, pontos, home runs, pit-stops, touchdowns, aces, games, safeties, field goals, sprints, pucks, birdies, mergulhos, outs, lets, walks, o gol aqui gritado, vibrado, xingado e vivido se tornou medíocre. Eu não me lembro mais. Deixou-me de incomodar como faziam os baderneiros do fundão, ou de me interessar como os papos digeridos pelos nerds da frente da classe.

Caiu na zona do limbo. Minha própria zona do esquecimento, do desinteresse, da indiferença. Um processo lento, que machucou, mas acredito, vá cicatrizar.

O dia que o futebol se foi pra mim, não foi por x ou y, fulano ou ciclano, demissão ou contratação, mil ou milhão, foi porque tudo somei, meu coração subtraiu e o que restou, percebi, depois do igual, continuou tudo igual.

Este é o fim.

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