cacwhere

Who’s got the power?

In Indy on 01/10/2010 at 15:06

Franchitti e Power brigam por muito mais do que uma prancha

Esse post é mais um oferecimento a você, fã e leitor assíduo do Sportstour que sente a adrenalina correndo pelas veias quando vê os bólidos da Indy acelerando a uma média de 230 mp/h nos circuitos ovais da terra do Tio Sam. E também para você, que não sente nada disso.

Com mais uma temporada da Indycar, agora denominada Izod IndyCar por razões comerciais, as quais respeitamos, até porque o blog só tem esse nome por causa do patrocinador majoritário, chegando ao final, levamos a você senão uma retrospectiva, nem o guia definitivo da temporada 2010, um overview de como foi esse ano na Indy, o que Power e Franchitti fizeram e também o que precisam fazer para levar o caneco – e um de verdade, não apenas uma prancha promocional – para casa ao final da noite do dia 2 de outubro.

Are you ready? Drivers, start your engines!

Will Power

Revelação da temporada, ninguém foi melhor do que Willie P. nos circuitos mistos

587 pontos, 5 vitórias

Aos 29 anos, Will Power está longe de ser um estreante na Indy. Mas, assim como Mark Webber na F1, foi só agora, após um bom tempo de carreira, que Power briga pela primeira vez pelo título.

Pouco conhecido do grande público até esse ano, Power é mais um piloto que chegou na principal categoria americana de monopostos via Champ Car, quando as duas se uniram, no início de 2008. Power, na época piloto da KV, dirigia um bólido verde e amarelo – cores de seu país, a Austrália – e chegou a vencer uma prova, em circuito misto, sempre eles, em Long Beach, na prova de despedida da categoria rival da Indy. Naquele mesmo ano, Power só voltaria a ter destaque em Surfers Paradise, quintal de sua casa, numa prova extra-campeonato: marcou a pole, mas se acidentou e terminou apenas em vigésimo segundo.

Com o escândalo de sonegação fiscal envolvendo Hélio Castroneves, Power foi contratado pela Penske para substituir o brasileiro até que ele tivesse acertado suas contas com o Fisco estadunidense. O australiano não decepcionou e chegou em segundo em Long Beach, segunda prova da temporada. Mas tão logo Helio foi inocentado, voltou a assumir o carro branco e vermelho número 3 que lhe pertencia por direito. A Power, restou correr algumas provas avulsas, sempre no misto, usando o carro doze, amarelo, da Penske Trucks. Com essa condição, foi terceiro em Toronto e venceu em Edmonton, mostrando a que tinha realmente vindo. Porém, um duro acidente em Sonoma acabou com sua temporada.

Para esse ano, Roger Penske anunciou que, além de encerrar a mítica parceria de sua equipe com a Marlboro (que ainda mantinha suas cores nos carros), voltaria a contar com três pilotos titulares: Ryan Briscoe, vice-campeão de 2009, Castroneves, ídolo da turma, e o jovem Will Power, cuja inscrição da Verizon no aerofólio traseiro denunciava um bom motivo para ele lá estar.

Ao que interessa agora: para surpresa de todos – talvez não todos, mas pelo menos minha – desses três quem mais se destacou foi o próprio Power. Venceu no Brasil, fez pole nas três próximas corridas, vencendo em St. Petersburgh e terminando em quarto no Alabama e em terceiro em Long Beach, pulando na ponta do campeonato. Nas três próximas provas, todas em circuito oval (preferência nacional), Power não foi tão dominante e viu Scott Dixon tomar a liderança, logo depois recuperada e aumentada durante a segunda leva de pistas que não têm só curvas para a esquerda.

Foram vitórias em Watkins Glen, Toronto e Sonoma, segundos-lugares em Edmonton e Mid-Ohio, uma liderança folgada e o título de 2010 do Mario Andretti Road Championship, assim denominado em homenagem a uma das grandes lendas do automobilismo norte-americano, um dos poucos a conseguir ser bem sucedido também na Europa.

Faltando quatro provas – em ovais – até o final da temporada, Power vinha com uma vantagem de mais de cinqüenta pontos para Dario Franchitti. Um azar em Chicago derrubou vertiginosamente sua vantagem, e ele vai para a Season Finale com meros doze pontos o separando do escocês da Ganassi.

Fica claro que Power não é nenhum especialista em ovais. Mas também não costuma entregar a rapadura. Quase não comete erros e é bem regular – embora tenha sido sistematicamente batido pelo seu maior rival nessas pistas. Para vencer, não pode sentir a pressão e realizar sua melhor corrida em circuitos não-mistos no ano (até agora, o melhor que conseguiu foi um terceiro lugar na última corrida, em Motegi). Contar com a sorte, também, não seria uma má pedida – embora seja difícil acreditar em um erro de Franchitti ou de sua equipe.

Dario Franchitti

Já veterano, Franchitti busca seu terceiro título seguido

575 pontos, 3 vitórias

Aos 37 anos – para minha total surpresa – o caso de Dario Franchitti se assemelha um pouco ao de Kim Clijsters no US Open. Campeão em 2007 pela Andretti, Franchitti optou por não defender seu titulo. Ao invés disso, resolveu se aventurar na Nascar, principal categoria de turismo da América. Sem muito sucesso, foi no lugar de Dan Wheldon, ao carro 10 da Ganassi, que o Escocês Voador retornou.

E, em uma das temporadas mais emocionantes dos últimos tempos, quando três pilotos – além dele, Scott Dixon e Ryan Briscoe – disputavam o título, Franchitti venceu na estratégia, mostrou que não só com o pé se corre, e se firmou como um dos melhores, senão o melhor, piloto da Indy atual.

Nesse ano, o começo foi lento. 7º lugar em São Paulo, quinto em St. Petersburg, até que veio o primeiro pódio, no circuito de Barber, Alabama. A primeira vitória veio em grande estilo. Em Indianapolis, onde já tinha vencido em um episódio controverso, em 2007, Franchitti liderava a prova graças a uma tática de poupar combustivel. Nas últimas voltas, quando seu Ganassi quase se arrastava pelo Brickyard e Dan Wheldon, o defenestrado, a bordo do carro 4 da Panther vinha voando no seu encalço, Mike Conway decolou. A bandeira amarela foi acionada e Franchitti venceu.

Desde então, definitivamente na briga pelo caneco, Franchitti seguiu Power de perto durante a segunda temporada de mistos: vitória na estratégia em Mid-Ohio,  segundo lugar em Toronto e pódio em Sonoma, Watkins Glen e Edmonton. Favorito nas últimas quatro corridas da temporada, Franchitti subiu ao lugar mais alto do pódio em Chicago, no segundo mais alto em Motegi e foi quinto em Kentucky – nas três ocasiões terminando a frente do australiano da Penske, vencendo o 2010 A.J. Foyt Oval Championship, auto-explicativo.

Pode-se dizer que, dependendo da matemática, Dario só dependa dele mesmo para faturar o terceiro titulo consecutivo da Indy. Sabendo do piloto que ele é, essa diferença de pontos é menor do que parece ser. E que ninguém duvide que em Homestead ele dê show e saia de lá com uma coroa de louros em volta do pescoço, um gordo cheque em sua já bem abastada conta bancária, tudo selado com um beijo de sua mulher, a atriz Ashley Judd.

A matemática do título

Há de se anotar que a Indy distribui pontos extras: um adicional ao pole-position e dois pelo piloto que liderar o maior número de voltas. Em Homestead, Miami, corrida patrocinada pela Cafés do Brasil (LOL), circuito oval tradicional, com 200 voltas, o piloto que liderar 101 já assegura esses dois pontos.

Com a diferença entre Power e Franchitti na casa de 12, a matemática do título é a seguinte, lembrando que Power leva a vantagem no número de vitórias, em caso de empate:

– Só pelo fato de largarem, os dois já somam, no mínimo, 10 pontos. Ou seja, Franchitti terá de terminar no mínimo em 8º (24 pontos) para ser campeão. Isso no caso de Power abandonar.

– Caso conquiste a Pole, Franchitti soma mais um ponto e joga a diferença em 11. Se vencer e Will Power chegar em segundo, não leva por um mísero ponto. Se vencer liderando o maior número de voltas, leva pelo mesmo mísero ponto.

– Sem liderar o maior número de voltas nem fazendo a pole, mas vencendo, Franchitti precisa que Power termine em terceiro, no máximo.

– Não vencendo a corrida nem conquistando a pole, Franchitti precisará contar com uma péssima corrida de Power. Chegando em segundo, soma 40 pontos. Nesse caso, Power teria que terminar em 7º ou abaixo. Terminando em 3º, Power precisa ser 9º.Abaixo disso, o australiano teria que fazer uma péssima corrida e terminar abaixo do top-1o

– Para Power, basta terminar a frente de Franchitti. Se o australiano fizer a pole, joga a diferença em 13 pontos e pode ser campeão, mesmo com Franchitti vencendo e fazendo o maior número de voltas na liderança.

Dados complementares:

Onde? Homestead, Miami

Quando? 2/10, sábado, corrida noturna, a partir das 20 horas, na Band e Bandsports

Meu conselho? Não percam!

ST Team!😉

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