cacwhere

Caro1

In tennis on 07/10/2010 at 16:11

 

Aos 20 anos, Caroline Wozniacki assume o posto mais cobiçado do tênis mundial

 

Caro1. O numeral pelo número, uma brincadeira dos tempos modernos, porque ela é a número 1 agora.

Podem dizer que o jogo dela não é exuberante. E não, não é. Mas quem, atualmente, enche os olhos dos apreciadores do esporte mais nobre de todos, na WTA?

Podem dizer que ela se inscreve em diversos torneios apenas para somar pontos. Sim é verdade. Mas essa não é a intenção do tênis?

Podem dizer que se aproveitou da quase controversa contusão de Serena Williams. Sim, não deixa de ser mentira. Não fosse a ausência da americana das quadras desde julho, ela não estaria aqui. Mas isso só mostra que oportunidades existem. Bom é quem se aproveita dela.

Podem dizer que ela chama mais atenção pelos cabelos louros e pelo vestidinho Stella McCartney da Adidas do que por seu jogo. E, de certa forma, não é cem por cento inverdade.

O que é verdade – e vários exemplos podem ser citados aqui, tais quais Anna Kournikova e Ana Ivanovic – é que beleza sozinha não ganha jogo. Não são as fotos de biquíni, as poses sensuais, os longos cabelos ou os traços finos, delicados, quase juvenis, que fazem a bola quicar duas vezes do lado de lá da quadra e garantem um ponto. A isso pode ser atribuído a eficiência de uma jogadora dentro da quadra.

E, nesse quesito, ninguém pode criticar Caroline Wozniacki. Principalmente porque ninguém foi mais eficiente do que ela nas últimas 52 semanas. Ou será, já que ocupará o lugar mais glorioso do ranking a partir da próxima segunda-feira. Como conseqüência, hoje é a dinamarquesa, fluente em polonês e inglês, quem lidera o ranking de simples da WTA, Associação Feminina de Tênis.

Críticas podem ser feitas à quase menina de vinte anos recém completados. “Seu jogo é feio”; “Muitos balões”; “Nunca ganhou um Slam”; “Faltam grandes vitórias no currículo”. E, para todos esses questionamentos, há margem para uma boa discussão. É verdade que Wozniacki nunca ganhou um dos quatro principais torneios do tênis mundial – o mais perto que chegou foi na final do US Open de 2009 – e que seu jogo se baseia mais em passar a bola para o outro lado do que abusar de variações.

Mas há de ser lembrado que ela não é a primeira – e provavelmente não será a última – mulher a chegar ao topo do mundo sem ter vencido um Grand Slam. Kim Clijsters, em 2005, Amélie Mauresmo no ano anterior, Jelena Jankovic em 2008 e Dinara Safina ano passado viram seus nomes acima de todos os outros no site da WTA sem nunca terem levantado um troféu grande (diferente de um grande troféu) ou uma bandeja. Mas nem por isso o brilho de suas carreiras foi menor.

Sobre esse assunto, e pelo fato de todas as cinco terem surgido após 2005 – portanto após a “fase de ouro” do tênis feminino, com Graf, Hingis no auge, Seles e tantas outras – são levantadas sérias críticas sobre a atual fase da WTA, assunto que poderia ser aprofundado por mim, aqui. Mas não o farei, afinal, esse post é para enaltecer Wozniacki e seu feito admirável, não criticar suas adversárias. Afinal, se o nível é baixo, as ‘menos piores’ merecem o sucesso. Coisa de referencial.

Portanto, falemos sobre os cinco títulos de Carol em 2010 – algo que não acontecia desde 2007 – e como ela não sente a pressão. Pode até perder, mas mesmo assim não se pode dizer que ela amarela, e uma boa prova disso foi sua vitória sobre Maria Sharapova em Nova York. Aliás, foi também no Slam norte-americano que sua ascensão começou. Em 2009, chegou a Flushing Meadows na parte de baixo do top-10. Um ano depois, voltou ao complexo Billie Jean King como principal pré-classificada, podendo ali mesmo tomar a ponta de Serena Williams.

Podemos citar também suas mais de 50 vitórias no ano, e o fato de ter sido a primeira classificada para as Finais da WTA, no Oriente Médio, ao final do ano. Com o atenuante do Slam que falta enfeitar sua prateleira, que já conta com 12 títulos de nível WTA, Caroline tem todas as credencias necessárias para ocupar o posto que ocupa agora – ou melhor, ocupará a partir da próxima semana.

Ainda sobre a conversa dos Slams, apenas para finalizar, Clijsters venceu o US Open no mesmo ano de 2005; aposentou-se e o resto é história. Já Mauresmo venceu os abertos da Austrália e Wimbledon, em 2006. Uma das poucas tenistas a bater o backhand com uma única mão, a francesa encerrou sua gloriosa carreira ao final do ano passado, aos 30 anos. No que depender de idade Wozniacki tem todas as condições de vencer pelo menos um Slam. No tocante ao talento, cabe alguma argumentação.

De toda forma, merecidamente, ela chega ao primeiro lugar – já tem algo para se orgulhar para sempre. Ficam aqui os parabéns a ela, e o desejo para que sua carreira não seja prejudicada, como foram as de Ana Ivanovic e Maria Sharapova, outras jogadoras contemporâneas que atingiram precocemente – em idade – a liderança do ranking.

Resta apenas saber como vai ser sua atitude de agora em diante. Maturidade para se manter no topo, ela tem – pelo menos aparenta. Resta saber se conseguirá manter seu jogo em um nível altíssimo por um bom tempo. E, se conseguir, como seu condicionamento físico irá reagir a isso.

ST Team!😉

Pedro Liguori acha a WTA mais interessante do que a ATP.

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