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Quando vence o melhor

In tennis, Wimbledon on 06/07/2010 at 00:21

Reprodução: M. Hangst

Olhando assim o título, pode até parecer um pleonasmo.

Ora, mas se alguém venceu uma competição, ainda mais no tênis, esporte individual cuja capacidade de ação está intimamente relacionada ao tenista, é claro que ele é o melhor. No entanto, partindo dessa mesma linha de raciocínio, normalmente depreende-se algo maior, quase filosófico. E é bem por aí que eu vou ditar o ritmo desse post. Mesmo na minha apresentação haviam dito que eu fazia mais o “estilo cabeça”. É bem isso mesmo. Deal with it ou pressionem por uma demissão, queridos. 😉

Sábado, para as mulheres, e domingo, para os homens, Wimbledon chegou ao seu final, uma pena, coroando, na quadra central, Serena Williams e Rafael Nadal, ambos acostumados às vitórias n’O Gramado. Serena vencera lá por três vezes, inclusive no ano passado. Já Nadal triunfara sobre Federer 2 anos atrás, e uma lesão no joelho o impediu de defender o título em 2009.

Pode-se dizer que Wimbledon é um Grand Slam peculiar. O Aberto da Austrália, no começo do ano, conta com uma série de torneios na Oceania, como Auckland e Brisbane, do mesmo modo que quadras duras não são raridade no circuito; Roland Garros e o US Open quase se equivalem: como preparação para o Major do saibro, são disputados três Masters, e para o de Flushing Meadows, dois, em sequência, além de uma vasta temporada no cimento estadunidense. Para Wimbledon, não. São apenas duas semanas de torneios preparatórios, iniciados logo na segunda-feira após a final na França. Se, por um lado, Queen’s e Halle gozam de certa glória entre os ATP-250, o contrário ocorre com Eastbourne e S’Hertogenbosch, esvaziados de grandes estrelas. Portanto, é justo afirmar que dificilmente uma zebra leva o troféu no All England Club. E é assim que vem sendo nos últimos anos. Com pouco tempo de preparação, os favoritos para o penúltimo Slam da temporada dificilmente variam; bons jogadores podem fazer excelentes campanhas o ano inteiro, mas em Wimbledon tudo muda; a grama não agrada a todos, e era comumente ignorada por jogadores de alto nível – Guga abriu mão do torneio quando era numero 1 do ranking, e Thomas Muster, o famoso “Musterminator” sequer ganhou um jogo em Wimbledon; pudera; disputou apenas em três oportunidades o torneio.

Assim sendo, afirmo que é preciso ter algo a mais para ser coroado em Wimbledon. Pelo piso, pelo clima, pela glória. E se hoje existem, tanto no masculino quanto no feminino atletas com esse algo a mais, estes são representados, sem qualquer sombra de duvida, por Rafael Nadal e Serena Williams.

Sim, pode parecer fácil e oportunista fazer análise justamente quando os dois ocupam – com folga – a primeira colocação dos respectivos rankings. Falando individualmente, Rafael Nadal vem na melhor fase da carreira – melhor até do que em 2008, quando encerrou pela primeira fez o domínio de Roger Federer à frente do ranking. Começou o ano em baixa – caiu para quarto lugar, atrás de Murray e Djokovic, e poderia ter sido quinto caso Del Potro estivesse em quadra – sofreu com lesões, falhou em defender o titulo do Australian Open e caiu na semi-final dos dois primeiros Masters do ano. Contudo, se existe alguém que sabe reverter uma situação difícil, brincar de McGyver, e com uma raquete e uma bolinha sair do fundo do poço, esse alguém é o menino de Manacor, sobrinho de um ex-zagueiro da Seleção Espanhola de futebol. E foi exatamente isso que ele fez, usando como alavanca a extensa temporada no saibro – e aqui não vou usar o discurso de achá-la abusiva e mais longa do que o necessário. Rafa venceu simplesmente os três Masters disputados sobre a terra batida, perdendo apenas dois sets. Como defendia muitos pontos, só os somou em Madrid, quando deu o troco em Federer pela final do ano passado e retomou a segunda colocação do ranking. Então veio Roland Garros, reino inconteste de Nadal, que só perdeu um único jogo lá – justamente no ano passado. É justo dizer que ele não encontrou dificuldades em nenhuma das sete partidas. Nem mesmo na final, contra o algoz Robin Soderling, também um desafeto seu. Mais uma vez Nadal levou um Grand Slam sem perder sequer um set, conquistando, quase como recompensa, a liderança do ranking mais uma vez. Por fim, veio a grama, piso no qual Nadal não pisava desde a final de Wimbledon em 2008. Nadal disputou o badalado torneio de Queen’s, que deu a ele seu primeiro título sobre a grama. Perdeu para Feliciano Lopez e entrou como cabeça 2 em Wimbledon.

E aí Nadal deixou claro para o mundo e seus adversários porque ele é Nadal, porque ele é o touro miúra, temido no saibro e muito respeitado fora dele. Começando em baixa, Nadal precisou do quinto set por duas vezes, mas triunfou. Sentiu dores no joelho, mas lutou e seguiu em frente. E após vencer o freguês Paul-Henri Mathieu marcou novo encontro com Robin Soderling, dessa vez na grama. Soderling levou o primeiro, mas Nadal disse “aqui não, outra vez não. Sai fora, sueco”, e reagiu, anulou Soderling e foi para a semi, onde enfrentou Murray e a Inglaterra inteira. Não se intimidou, contou com a falta de cabeça de Murray, que perdeu grandes chances justamente quando não devia, e fechou o jogo sem problemas, em 3 sets. E na final cumpriu mera formalidade contra a surpresa Tomas Berdych. Quebrou o adversário apenas três vezes, venceu três sets e o torneio.

Já disse previamente que não sou grande fã de Nadal. Mas sei enaltecer suas qualidades, e o respeito muito, como grande vencedor que é, e provou isso mais do que nunca em Wimbledon. Mais do que isso, mostrou aos seus adversários que Federer pode estar próximo da aposentadoria, mas que ele está sim pronto para assumir o lugar do suíço. E que venha o US Open e o Career Slam!

Photo: Google Images

Já Serena Williams mais uma vez só confirmou o que todos sabiam: é sim a melhor jogadora da WTA, e isso não é de hoje. Mais do que a larga vantagem no ranking – 8495 pontos contra 5900 de Jelena Jankovic – Serena mostra sua superioridade em quadra. Principalmente em Wimbledon. Não há ninguém, na WTA, atualmente, que possa vencê-la na grama. (Talvez, em dia que lembre os bons momentos de sua carreira, apenas sua irmã, Venus, possa ameaçar a supremacia de Serena sobre a grama).

As esqueléticas beldades do tênis feminino – que parecem se preocupar mais em sair bem nas fotos de biquíni do que em jogar num alto nível – não agüentam retornar seus poderosos saques, tampouco defender seus golpes, que provavelmente incomodariam até alguns jogadores da ATP, tamanha força que ela imprime.

Não acompanho com afinco os torneios da WTA, somente os Slams, e neles Serena domina. A americana até se dá ao luxo de disputar poucos torneios – 15, se não me engano – e mesmo assim tem uma incrível média de pontos. Desde que voltou ao topo do tênis feminino, após o Aberto da Austrália do ano passado, Serena parece mais relaxada. Não se sacrifica, nem se inscreve em dezenas de torneios melhores para somar pontos. Consequentemente, sofre poucas lesões. E mesmo assim mantém-se facilmente na ponta do ranking da WTA. Ora, se isso não serve para qualificar um atleta como o melhor, não sei mais o que serve.

*Acredito que finalizamos por aqui uma seção dedicada exclusivamente ao tênis por um bom tempo – até o US Open, creio eu; os outros torneios devem receber apenas curtas menções. Confesso que sentirei falta.

Pedro Liguori, colaborador do SportsTour desde que Zvonareva ainda não tinha chegado a uma final de Slam, acha Serena Williams a mulher mais gostosa da WTA.

ST Team! 😉

Wimbledon – Day XI

In tennis, Wimbledon on 02/07/2010 at 11:20

O torneio mais charmoso do circuito da ATP chega à sua fase final. Faltam agora três jogos para que Wimbledon coroe mais um campeão. E, teoricamente, temos 75% de chances de termos um campeão inédito no All England Club. Rafael Nadal, Tomas Berdych, Andy Murray e Novak Djokovic se enfrentam nas semi-finais, amanhã, por um prêmio que deixa no chinelo os 720 pontos e as 250,000 libras de recompensa para os que perdem nas meias-finais. Mas falemos sobre isso no próximo post, o que abordará as finais, tanto do masculino quanto do feminino.

Às semis, portanto, que o tempo urge e eu tenho ainda de preparar um post sobre as quartas-de-final da Copa do Mundo.

Nadal vs. Murray (H2H: 7-3)

Um clássico do tênis moderno, me atrevo a dizer. O líder do ranking mundial enfrenta o quarto colocado, que parece ter achado seu melhor tênis justamente quando mais se esperava: em Wimbledon. Murray vem jogando fácil, passando por seus adversários sem quaisquer dificuldades. Deixou, pelo caminho, nas duas ultimas fases, Sam Querrey, bom tenista americano e exímio sacador, e Jo-Wilfried Tsonga, perigoso tenista francês que desde que despontou, no Australian Open de dois anos atrás, ronda o top-10 e até já ganhou um Masters. Já Nadal é o famoso Touro Miúra. Não sou autoridade para comentar tênis tecnicamente, admito. Mas tento ser imparcial e mesmo não gostando do espanhol nutro grande admiração por Rafa. Nadal tem um grande físico – que às vezes é posto em dúvida – uma determinação maior ainda e uma raça típica dos espanhóis. O sucessor natural de Roger Federer passou sufoco pelo menos duas vezes nesse torneio: contra o jovem holandês Robin Haase, que chegou a ter a vantagem em sets, mas com uma leve contusão no pé – e não sei se ele culpou o problema físico pela derrota – acabou sofrendo a virada. Depois, mais cinco sets contra Petzscher, mas Nadal triunfou. Então veio o velho freguês, Mathieu, e uma vitória tranqüila. Nas quartas, Robin Soderling, único algoz de Nadal em Roland Garros, sueco em quem ninguém apostaria meia pataca furada um ano e meio atrás, chegou a vencer o primeiro set, mas perdeu os outros três e ficou pelo caminho, provando que um raio cai sim duas vezes no mesmo lugar. Mas não três ou quatro – como ficou provado na França e agora em Wimbledon. Nadal evoluiu muito ao longo do torneio, e agora parece seguro o suficiente para desbancar Murray diante de sua própria torcida. Dependendo do sobrinho de Miguel Ángel Nadal, os ingleses ficam mais um ano sem ver um tenista local vencendo Wimbledon.

Minha aposta: É mais torcida que uma aposta. Murray, em 4. Nadal não esconde que tem problemas no joelho – mas lida muito bem com eles, diga-se. Em 2010 não veremos o bi de Rafa nas quadras de grama.

‘Why so serious?’ Guy: Well, na verdade não estou com a menor vontade de palpitar nesse torneio que deveria ser de Andy Roddick. Quem vencer aqui leva a minha torcida para a final contra Djokovic. Que vai ser a minha aposta ali embaixo. Se BerdyBoy passar, tem a minha torcida, mas aí o favoritismo ficará para quem vencer esse confronto. Sem favoritos. Pra não ficar em cima do muro: Nadal em 5.

Djokovic vs. Berdych (H2H: 2-0)

Roddick perdeu para Lu que perdeu para Djokovic, que fez com que o dono do blog perdesse a cabeça e a vontade de assistir tênis. Ok, é entendível. Mas eu, pelo menos, tento ser um pouco mais imparcial, e não acho que minha análise será prejudicada por isso. Pois bem, vamos ao que interessa. Djokovic é outro que cresceu muito no torneio, conforme ia avançando para as próximas fases. Assim como em 2009, Nole não se acertou muito no começo da temporada, e piorou seus resultados o suficiente para que fosse contado como fora da disputa pelo troféu na Inglaterra. Ledo engano. Pois saindo da temporada do saibro, não mais escorre o pobre nariz balcânico do jogador mais bem humorado do circuito (e fico pensando se essa minha frase sofrerá censura). E as águas do final de junho, começo de julho, fazem bem ao sérvio, que reencontrou tênis para mantê-lo como segundo melhor tenista nas cinqüenta e duas semanas que separam a final de Wimbledon do ano passado para a deste ano. Sim, meus amigos, Federer perderá o segundo posto no ranking de entradas, atingindo sua pior posição desde 2003, quando eu tinha apenas onze aninhos e ainda assistia Digimon. Tudo isso porque Tomas Berdych voltou a derrotar o suíço, garantindo assim o direito de disputar com Djoker uma vaga na final do dia 4, dia da Independência. Berdych vem fazendo uma temporada louvável, obtendo grandes resultados nos três pisos: vice-campeão em Miami, semi-finalista em Roland Garros e novamente semi-finalista em Wimbledon. Parece que o eterno namorado de Lucie Safarova curtiu a sensação de estar entre os quatro melhores de um Slam. Que bom. Contra Djokovic, no entanto, o favoritismo fica do lado do number-two-to-be. Pena. Adoraria ver Berdych na final de um Slam. Só que também não sou bobo a ponto de achar que ele tem alguma chance contra Nadal ou Murray – porque não tem. Cravo que o campeão sai daquele lado da chave. Apenas um breve comentário que não posso deixar de fazer: Roddick tem motivos para se lamentar eternamente. Outra chance igual essa só em 2022. Pena. Mas a hora do americano ainda vai chegar.

Minha aposta: Hei de ser perdoado, mas aposto em Djokovic. Espero que ninguém fique nervoso comigo, nem estressado, nem me demite ou me bloqueie no Twitter. Mas não vejo como Berdych pode vencer. Aliás, até penso em um jeito, sim. Um alinhamento nos planetas faz com que o checo sonhe com antigos campeões da grama sagrada. O grandalhão desperta inspirado pelos saques de Krajicek e Ivanisevic, e repete as atuações do holandês e do croata, sem dar chances ao iugoslavo quando estiver sacando. Ainda, Berdych não pode ter medo de errar, ou segurar o braço, em momento algum durante a partida. Que desfira pancadas do primeiro ao último game, colocando Djoko sempre na defensiva. Ou arrisca precisas subidas à rede para executar voleios que dariam inveja a Sampras e Rafter. Por fim, não seria de todo mal se a grama de oito milímetros da Quadra Central guardasse um inseto britânico raro ao qual Djokovic é alérgico. O famoso quique irregular das quadras de grama também poderiam fazer com que Nole torcesse o pé e fosse forçado a abandonar a partida. Em cima de uma maca. Para o delírio do dono do blog. Focando mais na realidade, Djokovic entrando em quadra da mesma maneira que entrou em sua estréia, contra Olivier Rochus, igualaria as forças. Em condições normais, no entanto, não vejo o sérvio fora da decisão. E que Berdych se dê por satisfeito se conseguir arrancar um set, num hipotético tie-break.

‘Why so serious?’ Guy: Torço para BerdyBoy levar, mas acho que Djokovic leva em 4 difíceis sets. Espero errar. Mesmo.

Teremos amanhã, sexta-feira, além das semi-finais de Wimbledon, Brasil vs. Holanda pelas Quartas da Copa do Mundo. O que vocês, leitores fanáticos pelo estilo despojado do SportsTour vão preferir? Minha resposta, evidentemente, é a cama. (Nota do Editor: Demitido!)

E vai Holanda.

Nascido na Sérvia, Pedro Liguori é colaborador do SportsTour desde a época em que Federer era dois do mundo. Admirador de Wimbledon e de vacas leiteiras, torcerá por uma final entre Murray e Berdych.

ST Team! 😉

Wimbledon – Day VII

In tennis, Wimbledon on 28/06/2010 at 02:03

Photo: Google Images

Grande dia para o amante do tênis. Dia de grandes partidas, tanto na chave masculina, quanto – acreditem! – na feminina.

Os seis cabeças de chave principais continuam no Round 4 – popularmente conhecido como oitavas de final – e, tirando um, são todos favoritos para avançar para as quartas.

Vamos aos sensacionais e imperdíveis palpites que você não consegue esperar sem se mutilar (?):

Federer x Melzer (H2H: 0x0)

Pedro ‘Ferrolho Suíço’ Liguori: Federer em 3. Não tem muito o que falar…

Eu: Depois de 35 anos de carreira perdendo no terceiro round, Melzer chega a mais um R4 e deve tirar um set do atual número 2 do mundo. Federer em 4.

Mathieu x Nadal (H2H: 0x9)

Pedro ‘Saibro é para porcos’ Liguori: Nadal tá voltando a aparecer. Meu joelho dói, meu cotovelo dói, mas eu ganho sempre em 5 sets, jogos de quatro horas. E sempre pronto pra próxima. E o Mathieu… bom, quem perdeu 9 perde 10.

Nadal em 4 sets. Com atendimento médico e tudo.

Eu: Mesmo com uma campanha preocupante no All England Club, caberá a Soderling ou Murray o papel de eliminar o número 1 do mundo. Nadal em difíceis 3 sets.

Djokovic x Hewitt (H2H: 3×1)

Pedro ‘Aussie’ Liguori: Para delírio do acionista majoritário da Sports Tour Entertainment Inc., Hewitt repete os Socceroos e manda de volta para casa o Sérvio. 3-1 para o velho Hewitt, já em seu “canto do cisne”.

Eu: O jogo terá 5 sets. Muito bem disputados. E Hewitt vencerá no último porque o físico de Djokovic estará pra lá de Belgrado. Fim.

Roddick x Lu (H2H: 3×0)

Pedro ‘mimimi’ Liguori: Roddick vs. Lu para mim é quase como aquelas séries de três jogos da MLB. Salvo engano, Roddick venceu Lu duas vezes esse ano. Pois bem, vence a terceira e completa a varrida.

Eu: Roddick, espero eu, não perde 2 sets neste jogo em condições normais. Jogando bem, não perde nem sequer 1. Mas como a grama adora um tie-break, o americano leva em 4 sets.

Tsonga x Benneteau (H2H: 3×3)

Pedro ‘I believe in Benneteau’ Liguori: Hmm… Tsonga é um grande tenista, mas costuma perder para seus compatriotas. Em Marseille foi assim, perdeu para Benneteau na semi. Em um Grand Slam – ainda mais Wimbledon – sou obrigado a ir com Jo-Wilfried. Ele saca melhor e tem bom condicionamento físico. Sinto muito, Benneteau. Seu primeiro slam fica pra próxima.

Eu: O confronto mais horroroso das oitavas. Ambos os tenistas não estariam aqui caso tivessem uma chave pouca coisa mais complicado. Kamke, Fognini…. não é um cartel de respeito. E eu vou com a ‘zebra’ aqui: Benneteau em 5.

Murray x Querrey (H2H: 3×0)

Pedro ‘USA lover’ Liguori: Primeiro da série de jogos que eu esperei desde o começo do torneio. Querrey complica e embaça. Mas, se já quase amarelou contra o Malisse, contra o Murray vai. Dá Murray, em 5, em uma bela duma partida.

Eu: Ah, como eu queria ver uma vitória de Querrey aqui. Mas ela não vai acontecer. O pupilo escocês em 4.

Soderling x Ferrer (H2H: 5×2)

Pedro ‘Ferrer Rocher’ Liguori: Eu sei que o Ferrer tá doidinho pra perder pela 200ª vez na carreira para o Nadal (embora eu ache que ele tenha perdido pelo menos metade dessas 199 vezes pro compatriota). Mas o lance é que o Soderling tá jogando demais. Sinto muito, Ferrer. Mas reserva desde já a 300ª pro Rafa.

Eu: Soderling ainda não perdeu sets no torneio. E não vai ser nesta partida que ele vai perder. Soderling em 3.

Berdych x Brands (H2H: 0x0)

Pedro ‘Não gosto de tchecos’ Liguori: Berych bate Brands em boa batalha. 3 a…. 0 ou a 1.

Eu: Vou com Pedrinho. Berdych em 3. Ou 4.

Na chave das ‘ladies‘, dois confrontos se destacam:

Duelo belga entre Clijsters e Henin (12 x 12 no H2H), com palpites abaixo:

Pedro ‘Mattek Sands’ Liguori: Henin voltou ao circuito só pra ganhar Wimbledon. Mas Clijsters é a minha favorita. Só não digo que ela é linda e fofíssima porque iriam me estranhar. Então digo que ela é firmeza. E aposto nela, porque nas duas vezes que se encontraram depois da volta de Justine ao circuito, deu Clijsters.

Eu: O melhor jogo feminino do torneio até aqui. E poderia muito bem ser uma final. Henin lidera o H2H na grama (3-1), mas vou com Clijsters, em 3 apertados sets.

E o duelo da atual número 1 do mundo, Serena Williams com a russa Maria Sharapova (H2H:5×2):

Pedro ‘Russia Sucks’ Liguori: Serena ganha, a musa, inatingível, deliciosa. Além de me dar a oportunidade de pelo menos ver ela mais um jogo em ação, Wimbledon rima com “Irmãs Williams”, na linguagem poética do tênis que nem todos podem compreender. Portanto, qualquer final que não seja entre as irmãs, pra mim, é uma bela duma zebra.

Eu: Williams em duplo 6×4. Uma pena. Sharapova tem tênis pra ir mais longe.

That’s it, guys. Ou como diria o grande MJ, falecido no dia 25 de junho do ano passado, This is it.

Para elogios, entrem em contato comigo. Para reclamações, Pedrinho está sempre à disposição de vocês.

Um abraço a todos!

ST Team! 😉

Wimbledon – Days V & VI

In tennis, Wimbledon on 25/06/2010 at 03:27

Photo: Getty Images

Wimbledon, dias V e VI.

O terceiro Grand Slam do ano chega à terceira rodada, o famoso Round of 32, que distribui, para os derrotados após duas vitórias na grama inglesa, 90 pontos e 31,250 Libras. Não sei quanto dá isso em dinheiros brasileiros, mas sei que é bastante. O suficiente para você repensar sua posição ao chamar aquele cara que cai sempre na terceira rodada, tipo o Kohlschreiber de “babaca”. É um babaca que viaja o mundo e ganha 31,250 Libras Esterlinas trabalhando três dias. Poderia perguntar agora quem é o babaca, mas conheço vocês, queridos admiradores do meu trabalho. E vocês xingariam muito no meu Twitter. Não quero isso para o meu psicológico, então vamos ao que interessa, resumo das dezesseis partidas da terceira rodada. Na verdade, quinze, porque amanhã, dia 25 de junho, Thiemo de Bakker e John Isner fazem uma partida atrasada, por motivos que não precisam ser explicitados, creio eu, mas se você tiver acabado de voltar de, sei lá, Saturno, olha no post ao lado que certamente você vai gostar e entender o motivo.

Ao que interessa. O Patrão já falou sobre vitórias de Roddick e tudo mais. Acho. Enfim, vamos à terceira rodada, já adequadamente palpitados de uma maneira bem confeccionada, nem por isso certeira por Pedro “Insert name here” Liguori e pelo rapaz que assinou os próprios palpites como “Eu” no último post semelhante.

Dia V


Pela parte alta de chave, os seguintes confrontos acontecerão:

Gael Monfils vs. Lleyton Hewitt (H2H: 2-1)

P.L.: Menino Monfils vai perder a vantagem no Head-To-Head. Hewitt vem voando. Ganhou até do Federer, quem diria, em Halle?

Misterious Man: Hewitt em fáceis 3 sets.

Roger Federer vs. Arnaud Clement (H2H: 7-3)

P.L.: Décimo primeiro confronto entre os dois, oitava vitória de Federer. Simples assim.

Misterious Man: Federer em não tão fáceis 3 sets.

Novak Djokovic vs. Albert Montañes (H2H: 3-0)

P.L.: Isso é mesmo necessário? Só pra fazer birra para o dono do blog, meu compatriota sérvio leva.

Misterious Man: O sérvio mais amado do blog vai fazer a alegria de Pedrinho e levar em 3 sets.

Philipp Kohlschreiber vs. Andy Roddick (H2H: 1-2)

P.L.: Compensando a vitória de Djokovic, Roddick passa com tranqüilidade. Mesmo que Kohlschreiber seja respeitado pelo dono de blog (“Não se sabe o que esperar dele”, disse, certa vez, em um de nossos diálogos públicos via Twitter, que provavelmente serão documentados, catalogados e estudados como as cartas de Mário de Andrade para Manuel Bandeira), eu sei o que esperar dele: uma derrota tranqüila para o americano, que marcha para o seu segundo titulo de slam. (E essa análise aqui ficou um pouco grande, e vou ouvir uma certa chiadeira, provavelmente acompanhada de um corte no meu salário. É a vida.)

(N. do A.: Caras, vocês já pararam para perceber que o Kolhi é a cara do alemão da propaganda que tem o Luís Fabiano, que ele fala “Vai, pode encarar?”. IGUALZINHO!)

Misterious Man: Gostaria de acreditar no P.L aqui em cima, mas não acho que vai ser tão tranquilo assim. Roddick em 4 sets.

Feliciano Lopez v. Jurgen Melzer (H2H: 2-3)

P.L.: Feliciano vai ficar mais feliz quando despachar o número 16 do mundo e se classificar para as oitavas. Na grama o jogo do espanhol encaixa mais. É como se o Lopez fosse o Mahut da Espanha.

Misterious Man: Pedrinho manda muito bem. Disse tudo. Só falou faltar em quantos set Lopez avança. 4 sets para o espanhol.

Florian Mayer vs. Yen-Hsun Lu (H2H: 1-0*)

P.L.: O dono do blog há de me perdoar, mas preciso comentar que é difícil acreditar que teremos um destes dois nas oitavas de um Grand Slam. Mas há de concordar também que Andy Roddick ri de tal situação.

Misterious Man: Mayer em 5 sets. Vai ser o jogo mais disputado da rodada.

Outros jogos do dia que não merecem assim tanta atenção:

Tomas Berdych vs. Denis Istomin (H2H: 0-0)

Mikhail Youznhy vs. Paul-Henri Mathieu (H2H: 5-1)

Victor Hanescu vs. Daniel Brands (H2H: 0-0)

Jogo de segunda rodada:

Thiemo de Bakker vs. John Isner (H2H: 0-0)

P.L.: Queria ter um centavo para oferecer por informações detalhadas sobre os pensamentos de John Isner e Thiemo de Bakker. Acho que Isner leva. Ele deve estar motivado como nunca na vida. Resta saber até que ponto essa motivação vence o físico.

Misterious Man: Bakker leva em 5 sets. Embora ambos não aguentem jogar nem mais 1.

Dia VI

No sexto dia de Wimbledon, sábado, dia 26, teremos o complemento da terceira rodada. Ainda não há “Schedule of Play”, mas para pouparmos tempo e espaço, vamos direto aos confrontos do dia, todos válidos pela terceira rodada do torneio.

Andy Murray vs. Gilles Simon (H2H: 3-1)

P.L.: Simon vem gradualmente voltando às quadras após uma dura lesão. Venceu dois jogos e está de bom tamanho. Murray segue firme para defender e quiçá somar mais pontos ao final de Wimbledon.

Misterious Man: Môri jogou bem demais perto da rainha. Longe dela não jogará tão bem. Mas passará em 4 sets.

Robin Soderling vs. Thomaz Bellucci (H2H: 0-0)

P.L.: Bellucci nunca venceu um Top 10 em sua carreira. Não será desta vez. Soderling vence, sem perder um set.

Misterious Man: Hahahahahahahahahahahaha. Não contive o riso. Perdão. Soderling em 3. Mas Belucci arranca um tie-break.

Rafael Nadal vs. Philipp Petzschner (H2H: 2-0)

P.L.: Nadal venceu, mas não convenceu. O que não é tão importante assim. Vence, e Petzschner não vai mais precisar ficar preocupado em torcer para a Alemanha contra a Inglaterra em solo da Rainha.

Misterious Man: Nadal em 3 sets. 2 deles vencidos no tie-break.

Outros jogos do dia VI:

Jeremy Chardy vs. David Ferrer (H2H: 1-3)

P.L.: Ferrer joga a segunda rodada do campeonato francês de Wimbledon. Pois bem, o espanhol tem, também, 199 derrotas na carreira. Ele não vai perder a chance de entregar a 200ª pro Nadal. Só precisa combinar com o Soderling, na próxima rodada.

Misterious Man: Hora de arriscar! Chardy em 5 sets.

Sam Querrey vs. Xavier Malisse (H2H: 1-0)

P.L.: Malisse vinha de boa campanha em Queen’s até encontrar Querrey. Pois o americano mais uma vez vai destruir os sonhos do melhor belga do ranking masculino e segue em rota para um dos duelos que eu mais espero nesse torneio, contra Andy Murray.

Misterious Man: Querrey, espero eu, em 5 sets.

Julien Benneteau vs. Fabio Fognini (H2H: 0-0) e Jo-Wilfried Tsonga vs. Tobias Kamke (H2H: 0-0) completam a rodada. E, ao contrário do que aconteceu na Copa do Mundo, prevejo um dia alegre para os dois franceses. E, se isso acontecer, a França terá, automaticamente um representante nas quartas-de-final de simples de Wimbledon. Interessante.

ST Team! 😉

O Gigante, o Parnasiano e 118 games.

In tennis, Wimbledon on 24/06/2010 at 01:32

Photo: Google Images

Pensei em várias maneiras de se começar esse texto, mas nenhuma se destacou e reinou inconteste, passando com louvor pelo difícil crivo que é a minha licença criativa para criar algo de um mínimo valor. Pois bem, começo esse texto por duas vezes. As duas após essa breve introdução.

118. Um número respeitável. 118, relacionado ao esporte, lembra muito uma partida de basquete: grandes equipes em jogos inspirados superam essa marca com certa facilidade na temporada regular. Fazendo uma rápida consulta no Game Log do Boston Celtics, vejo que um dia antes do Halloween de 2009, dia 30 de Outubro, contra o Chicago Bulls, jogando em casa, a equipe marcou 118 pontos contra pouco menos da metade – noventa – dos taurinos de Illinóis. Uma bandeja de Rajon Rondo afastou o time desse recorde, em novembro, contra os dinossauros de Toronto. Houve também ocasiões em que o time superou essa marca – cento e vinte e dois contra Minnesota – e também que perdeu por uma marca parecida – 116 contra os sóis de Arizona. Mas enfim, digo isso apenas para reforçar minha afirmação inicial, de que cento e dezoito pontos não é algo de espetacular em uma partida de basquete.

A menos que estejamos falando sobre a Euroliga. Conhecido por seu basquete truculento e pouco… digamos… fantástico, deslumbrante, mágico – como acontece com a NBA – acho aqui, em mais uma rápida consulta pelo anuário do torneio europeu, um jogo pela primeira repescagem, entre um time belga e um time francês, cujos nomes, creio eu, sejam de exígua importância. Permito-me, então, esquecê-los. (Se algum fã se sentir ofendido, pode reclamar comigo ou xingar muito no meu twitter, não ligo. Ganharei apenas mais um replies de belgas e seus chocolates e franceses e suas baguetes, enfurecidos, gritando impropérios). O referido jogo terminou, no primeiro de dois confrontos, em uma vitória belga por 55-53. Menos, portanto, do que os cento e dezoito games jogados por John Isner e Nicolas Mahut, entre ontem e hoje, na esquecida quadra dezoito de Wimbledon.

Dia vinte e dois de junho, exatamente à uma hora e vinte e oito minutos da tarde, disse, em meu Twitter oficial e verdadeiro – procurem saber se não estão seguindo fakes, crianças; eles vêm se proliferando sob minha alcunha em uma quantidade absurda desde que comecei a escrever para esse blog – que tinha medo de John Isner jogando em Wimbledon. E, de fato, tinha. Longe de considerar o simpático gigante de Greensborough, Carolina do Norte, um bicho-papão. Com uma carreira cabível a jogadores de basquete e futebol americano recém-saídos da universidade, John Isner vem para o seu segundo ano de tênis em alto nível. E ele já tem vinte e cinco. É, por exemplo, mais velho do que Rafael Nadal. Tudo bem, perdoável, Nadal é um mutante que com a idade do dono do blog já tinha vencido Roland Garros por setecentas e quarenta e quatro vezes – isso porque são campeonatos anuais – sem perder um set em trinta e sete ponto cinco por cento desses anos. Mas Isner não é nenhum prodígio. Com dois metros e tanto – não é o maior do circuito por que Ivo Karlovic, croata, gigante, sacador, tem dois centímetros a mais que o nosso glorioso fã de Jake Delhomme e dos Carolina Panthers – John Isner faz o que se espera para seu tamanho: saca. E saca forte. Devolver suas pedradas é uma tarefa hercúlea, digo eu, que nunca enfrentei um tenista com a mínima predisposição a se tornar um profissional e top-20. Assim como é devolver um saque de Ivo Karlovic. Ou como era retornar as bolas de Goran Ivanisevic, Todd Martin e tantos outros que poderia ficar horas enumerando-os. Pois bem, John Isner, filho das universidades americanas, tem vinte e cinco anos, um título na carreira e duas finais perdidas para Sam Querrey. Prefere as quadras rápidas, o cimento americano que adorna os torneios de Atlanta, Indianápolis, Flushing Meadows, San Jose e uma porrada de outros também. Mas não foge do saibro: foi vice-campeão no fraco torneio de Djokovichia, digo, Belgrado, e avançou, de forma até surpreendente, em Roland Garros, quando foi exterminado pelo bom checoslovaco Tomas Berdych.

Os jogos de John Isner não são lavadas. Ele deu trabalho para Nadal – mais novo do que ele – em Indian Wells – nos Estados Unidos. Sim, propositalmente recordo os dois que citei mais cedo – mas não tão cedo, esse texto nem é tão grande, acho. Ele costuma disputar muitos tie-breaks. E quando eu digo que são muitos, é porque são muitos. Chega a ser chato. Todos os jogos dele – senão todos, porque se eu disser todos vão achar um jogo dele no Challenger de Sarasota no qual ele aplicou um Double-baggle, como dizem na terra de Uncle Sam, em algum tenista boliviano que hoje vende peixe em La Paz. Sim, esse blog tem muitos fãs assim, minuciosos e dedicados em me contradizer, pude conhecê-los bem quando jogaram na minha cara que Mijatovic era Montenegrino, não Sérvio, como eu gostaria – tem, pelo menos, um 7/6. Não é crime ter seu jogo baseado no saque. Você tem mais de dois metros, tem uma bazuca acoplada ao ombro direito. Use-a, a ATP não irá te banir do torneio, tampouco o STJD vai te tirar vinte e cinco mandos de campo e três pontos. Por isso mesmo, era de se esperar que na grama – Inser, como eu digito errado às vezes, perdão se sair assim em algum ponto do texto além desse, não jogou nenhum dos quatro preparatórios; a quadra dezoito seria a primeira em que ele jogaria nesse ano – seu jogo encaixasse. Wimbledon era o paraíso de dois dos meus tenistas mais caros: Ivanisevic, que perdeu três ou quatro vezes antes de – against all odds, como deve ter dito alguma manchete inspiradora em seus anglicismos – finalmente triunfar em 2001 e Andy Roddick, que também bateu na trave três vezes e, pior, na mesma trave, sendo que ano passado a bola pingou na linha e eu e mais uma meia dúzia de pessoas pode jurar que ela passou por completo, mas ainda espera seu momento Ivanisevic, que dificilmente acontecerá, porque duvido que o filho de Omaha criado no Texas prolongará sua carreira até que a oportunidade de ser cento e tanto do mundo e receber um convite apareça. E a grama, reconhecidamente, favorece as poucas trocas de bola, um melhor e mais potente e preciso saque, e jogos sem quebras definitivas. Analisando o histórico do torneio de Queen’s, também disputado em terras Reais, desde mil novecentos e noventa e quatro, quando do último alinhamento entre os anéis de Saturno, há uma tendência natural a finais decididas no desempate, o que só comprova o que eu disse anteriormente, e não me faz passar por louco, mentiroso e energúmeno. O que só sou um pouco.

Portanto, eu disse tudo isso para explicar que não tinha medo de John Isner prevalecer em relação aos outros cento e vinte e sete tenistas da chave e levar para casa uma bandeja prateada, na qual certamente ele não serviria café da manhã para sua mãe ou colocaria um vaso com camélias. E sim porque suas partidas normalmente são demoradas e difíceis de assistir. Principalmente antes do décimo terceiro game do set. Digo isso sem remorso, pois o grandalhão é um dos meus tenistas favoritos, e o dono desse digníssimo site pode comprovar isso. Não sei se vai, mas que ele poderia, poderia.

Só que no All England Club – e agora não me valho de estrangeirismos, o clube chama-se assim e assim que eu vou chamá-lo, queiram ou não – assim como em outros dois dos três Slams, não tem essa de décimo terceiro game no derradeiro set. Não, é até a morte, alguém deve ter brincado. Mas é assim, na terra da Rainha, do Parlamento, da direção do lado direito, do Liverpool, da Libra, de duas guerras mundiais e uma Copa do Mundo, e dos tenistas que jogam sempre de branco. E se, mesmo com esses preciosismos Wimbledon continua sendo, na minha opinião, o melhor torneio de pelo menos três universos e realidades paralelas, não há o que contestar. E até a morte (ou escurecer, nas outras quadras desguarnecidas de um teto retrátil chique e uma iluminação que faz a quadra principal – sem nome, mais um preciosismo da Senhora Elizabeth – lembrar uma abóboda gótica na moderna Londres) segue, ainda, o jogo entre John Isner e Nicolas Mahut.

Não há muito o que falar sobre o francês. Ele perdeu uma ou duas finais em Queen’s. Uma foi para o Roddick, eu sei. A outra também deve ter sido. Ou para o Hewitt. Os dois se revezaram ganhando títulos lá ano sim, outro também. Não à toa, os dois juntos têm quase uma década de dominância naquela grama lá, que se não é O Gramado, é respeitável, também, embora a ATP não ache, uma pachorra das graúdas, sem dúvida. Nunca teve o prazer de erguer um troféuzinho, talvez de Challenger. Não escanseei sua carreira como fiz com o poema de Francisca Júlia. Não tenho por quê. Ele é só o Nicolas Mahut, não é um poeta parnasiano com orientações simbolistas, tampouco vai me passar de semestre – feito que ainda não sei se eu alcancei, e perdão pela digressão e por contar sobre a minha vida insossa nesse espaço tão concorrido. Hão de me perdoar. Ele é só o Nicolas Mahut, um bom duplista. E que, como simplista, enfrentaria John Isner pela primeira rodada de Wimbledon, no último jogo do dia na quadra dezoito, logo após uma inexpressiva italiana e sua tampouco relevante rival britânica se degladiarem, como duas guerreiras romanas em uma Arena. Ok, nem tanto.

A Quadra 18 não tem a glória da Quadra Principal. Não lembra, nem de longe, a capacidade da Arthur Ashe, em Nova York. Acho que é essa a maior quadra de tênis do mundo, em capacidade. Posso estar equivocado, acontece, muito. Não tem o charme da Philippe Chatrier. E também não tem o calor nem é tão azul quanto a Rod Laver Arena. Mas está lá no complexo de Wimbledon, e merece ser respeitada também. Antes de ontem, quem por lá passasse deveria apenas olhar para a indicação, em uma bela placa timbrada com o logotipo do torneio (nunca estive por lá, mas tenho certeza de que é assim) ‘Court 18’ e então seguir seu caminho. Ou, a quem interessasse os jogos de Sam Querrey e um soviético-ucraniano e da vice-campeã da França, a charmosa e estilosa Samantha Stosur contra sua futura algoz, uma báltica, Kaia Kanepi (N. do A.: Seria Kaia uma versão feminina para Caio?), entrar e acomodar-se, assistindo a duas, três horas de um bom tênis sobre a grama. Não sei se há câmeras de televisão naquela quadra. Não sei se os melhores árbitros são escalados para lá. Não tenho informações de que ela é tratada com o mesmo carinho que as Quadras 1 e Central, ou se é apenas um número em meio aos outros tantos em uma planilha sobre os gastos do clube. Sei que, definitivamente, a Quadra Dezoito do complexo de Wimbledon vai entrar para a história. Isso mesmo sem ser palco de uma final, mesmo sem servir de cenário para o último jogo de um grande tenista, ou uma grande tragédia – porque essas coisas também unem as pessoas e faz com que lugares se tornem marcos. Veja o WTC, por exemplo, naquele ato de calhordice de Bin Laden ou quem tenha feito aquilo. A Quadra Dezoito, e acho mais respeitoso grafar dessa forma agora, com duas capitais, e 18 por extenso, assim, Dezoito, entrará para os anais do tênis moderno, arcaico, passado, presente e futuro pelas mãos de John Isner e Nicolas Mahut – o simpático gigante da Carolina do Norte e o bom duplista que não é parnasiano tampouco tem influencias simbolistas.

Não sei que horas eram, exatamente. Não sei também se algo de extraordinário aconteceu quando John Isner, com seu boné branco, sua roupa igualmente imaculada adornada com o símbolo de seus patrocinadores norte-americanos – e não vou fazer merchan, porque não gosto de seus produtos; fossem os concorrentes alemães, colocaria o nome, em capitais e negrito – carregando sua bolsa, com um kit sobrevivência completo: umas cinco raquetes, um par ou dois de camisetas – brancas, como manda o torneio – e um tênis. Sim, acho que ele carrega consigo um tênis. Fernando Verdasco, esse ano, em Indian Wells precisou trocar o seu e tinha um Adidas, idêntico, bonitoso e pimpão, à disposição. Então para qualquer eventualidade, certamente Isner deve ter um tênis reserva. E, levando em conta o tamanho daquela bolsa, poderia muito bem também ter lá escova de dente, xampu e, porque não, um kit-higiene completo. Se Isner soubesse qual seria seu destino, certamente colocaria também um travesseiro e um lanchinho. Tampouco tenho conhecimento de alguma mudança no cosmos quando Nicolas Mahut entrou vestindo sua roupa branca com um jacaré bordado. O mesmo jacaré que, safado!, também pulou na roupa de Andy Roddick. E curtiu, porque o nosso amigo crocodiliano está lá pelos últimos cinco anos. Mas o post não é sobre o Roddick ou sua grife, enfim.

Concreto é dizer que a partida se desenrolou normalmente no primeiro dia. Sim, dias. Depois desse jogo, o conceito de sets se tornou subjetivo, e essa Epopéia tem de ser medida em dias, não games, horas, tampouco sets. Pois o primeiro set saiu sem tie-break, e Isner, fazendo valer seu encabeçamento como 23 (mesmo sendo dezenove no ranking de entradas), venceu sobre o adversário teoricamente mais fraco, que agora ocupa uma modesta posição de numero cento e quarenta e nove. Pois pode ser orgulhar, é um dos cento e cinqüenta melhores tenistas do mundo. Parabéns a Nick Mahut, O Parnasiano. Posso chamá-lo assim? Acho que posso. Se algum familiar ou fã se incomodar, junte-se aos belgas e franceses e xinguem muito no meu Twitter. Pois bem, após pouco mais de meia-hora de duelo – 32 minutos – para meia dúzia de gatos pingados, suponho, Isner fecha o primeiro em 6/4. Puxa vida, pensei. Contrariando a lógica, não tivemos um desempate. Que siga assim. Ledo engano, o meu. No segundo set, uma quebra colocou O Parnasiano na frente, e ele não decepcionou: empatou o jogo em One set-all, 6-3, três minutos mais rápido, 29 minutos. Tínhamos então uma hora e um minuto de jogo, estou certo? Boa média para dois sets. Veio o terceiro. E, perdão se disser merda de boi (Bullshit.), mas Isner quebrou Mahut. E Mahut quebrou Isner. E lá foram eles para o fatídico décimo terceiro game, empatadinhos, empatadinhos, 6 a 6. Esse set foi um pouco mais longo. Quarenta e poucos minutos, acho. E deu Nicolas “Le Parnasien” Mahut, francês como Baudelaire, o Led Zeppelin da poesia, como eu costumo dizer. Não vou traçar um paralelo de tênis com a literatura universitária a esse ponto do texto, fiquem tranqüilos. Quarto set. E Isner volta a ser Isner. E O Parnasiano volta a ser Nicolas Mahut. E temos, pela primeira vez, um jogo de grama, sobre O Gramado, tão venerado. Sobre O Gramado e sob o céu de Londres, que começa a escurecer, afinal, é assim que funciona. E no quarto set, temos novamente um desempate, porque nem Isner nem Mahut quiseram fechar o jogo em seis ou em sete-cinco. Então vamos quebrar esse empate aí, diz as novas regras do tênis. Porque é o quarto set e pode. No quinto não, deve estar escrito, com enormes letras vermelhas, em algum lugar, um livro velho em uma redoma de cristal na sede da ATP. E Isner faz a fria noite de Londres aquecer, porque ele vence. Faz 7-6, indica o placar normal de uma quadra normal, com um público normal, um árbitro de cadeira normal e dois tenistas particulares, um gigante e um francês que, destoando da gente de Monfils e Noah, obteve seus melhores resultados na grama. E assim, impedindo que Mahut fechasse em 4, Isner determinava que a história do tênis moderno fosse reescrita no dia seguinte. Que recordes seriam dilacerados como nacos de grama nos quais sua bola – quase uma granada – cai na quadra do pobre e indefeso adversário. Mas não hoje. Porque por hoje tínhamos uma partida de quase três horas, calculo eu, cá com meus botões e duas janelas de MSN abertas (e Muse tocando). E assim um representante da organização do torneio deve ter chamado Mohammed Lahyani, perdão de equívocos na grafia do digníssimo senhor, um grande árbitro, John Isner e Nicolas Mahut, e dito: Mas, meus rapazes, não podemos mais continuar com isso aqui. Cai a noite, não é mais possível ver a bola, meus meninos. Temos que comer, dormir. A vida segue e hoje é só terça-feira. Vamos dar isso aqui por encerrado hoje, meninos, e vão aproveitar a noite inglesa que vocês são jovens. Amanhã terminamos, que tal? E os dois, em uníssono, devem ter concordado. Uma toalha na nuca, as pernas doendo, a raquete na bolsa e cada um para o seu vestiário, cansados. Voltaram para o hotel, jantaram, dormiram, assistiram um filiminho, não sei, a vida extra-quadra deles não me importa. Não deveria importar a você, que lê isso aqui. É chato isso, invadir a privacidade dos moços.

E então veio a quarta-feira, dia vinte e três de junho, véspera do aniversário de Lionel Messi, Jeff Beck, Cicinho e tantos outros, que não será devidamente comemorado por mim, mesmo que eu tenha, no meu calendário, circulado em caneta hidrocor vermelha o dia 24, como “aniversário do Messi”. Comemoro os anos de Messi, sou assim. Ele é foda, e merece. E então estava aberto o segundo dia. Dizem que para se escrever um livro, são necessários três tópicos: introdução, ápice e desenlace. Estou simplificando, mas é bem assim que um escritor deve pensar. Pois bem, o segundo estágio é o ápice. E a vida imita a arte. Mas tênis é arte. Se é sobre O Gramado, mesmo que fosse da Quadra Dezoito, onde no primeiro jogo do dia Greta Arn derrotou Alicia Molik, é arte mais ainda. Portanto, a arte imita a arte. E começa o terceiro set. Não sei o que os boleiros estavam pensando, não sei o que Lahyani estava pensando, não sei o que o público estava pensando. Talvez estivessem mais preocupados com os jogos do Roddick, na quadra central, ou do Federer, na quadra 1, ou do Djokovic, Clijsters, Henin, em quadras mais importantes, do que um jogo deslocado: jogariam a primeira rodada enquanto todos os outros fariam seus segundos jogos no torneio. E então Isner confirmou. E Mahut confirmou. E Isner confirmou. E assim foram, até o 6 a 5. Era o game mais importante, até então. Porque já diz o velho livro que O Quinto Set é até a morte, em Wimbledon. Talvez não com essas palavras, provavelmente não com essas palavras, certamente que não. Mas transmito a vocês com essas palavras, para evitar brigas por direitos autorais. Pois bem. Mahut confirmou. E então Isner confirmou mais uma vez, e Mahut o seguiu. E assim foram. John Isner já escrevia seu nome na história como um dos maiores números de aces em uma única partida. Sei que no 13 a 12 ele já igualava os cinqüenta aces de Roger Federer na final do ano passado. Aliás, até então, cinqüenta aces era o maior numero de saques não retornados disparados por um tenista que tinha saído vencedor. Fora isso, Ivo Karlovic, croata, gigante e pivô do Hadjuk Split nas horas vagas, que detinha as três primeiras marcas, não soubera aproveitar seu saque: perdera com 51, 55 e 78 aces. Não sei para quem foi com cinqüenta e um, mas com cinqüenta e cinco foi contra Hewitt, ano passado, na França, e setenta e oito contra Stepanek, pela Davis. Os dois no saibro. Mas Isner marcou mais um ace, e mais outro. E Mahut marcou mais um ace, e mais outro, e confirmou seu saque. E seguiram. Os jogos começando e terminando, e os dois sacando e devolvendo – mais sacando do que devolvendo – e marcando aces. John Isner passou dos cinqüenta e um. Passou dos cinqüenta e cinco e passou dos setenta e oito em algum ponto do jogo, quando os games já haviam passado absurdamente de um limite razoável: 31-30, algo assim. E Mahut superou os quarenta e seis aces compartilhados por uns cinco tenistas e também escrevia seu nome no top-10 de mais aces em uma partida. Primeiro recorde quebrado, primeira partida na qual os dois tenistas marcavam mais de quarenta e seis aces. Primeiro feito histórico para os três – o gigante, o Parnasiano e a Quadra Dezoito. E o game prosseguiu. No 20-19, saque de Mahut, Isner pôde igualar o 21-19 de Roddick contra El-Aynaoui, no Australian Open de dois mil e três, ou dois mil e quatro. Mas Mahut confirmou. E assim seguiu. Até que os dois bateram o recorde de games em uma partida de Wimbledon. E bateram o recorde de partida mais longa em Wimbledon. E de tie-break mais longo de Wimbledon. E logo Arnaud Clemant e Fabrice Santoro, personagens do até então jogo mais longo da Era Aberta, em Roland Garros, 2004, teriam seus nomes execrados dos livros de história (boa será a era em que tênis será lecionado nas escolas) e do Guinness. Porque 6 horas e 34 era pouco para Isner e Mahut. Eles queriam mais. Queriam tirar a atenção de Federer, Djokovic e Davydenko – que agradece, pois sua derrota passará incólume aos jornalistas, que só tem olhos agora para a Quadra Dezoito, a patinha feia do complexo de Wimbledon. E logo Isner superou Karlovic no numero de aces. E logo os dois tinham mais de duzentos winners – contando aces. E logo Mahut superou os cinqüenta aces de Federer. Superou os cinqüenta um, os cinqüenta e cinco e os setenta e oito de Karlovic. E Isner chegou aos trezentos winners. A partida superou as seis horas de Clement e Santoro – este, O Mago, se aposentou esse ano. Aquele, ainda joga, com seu estilo único – e o quinto set chegava às cinco horas de disputa. Uma puta duma defasagem: 32, 29, 47, 65 e 250 minutos. E o melhor estava por vir, porque Isner, que já não é lá um excelente retornador, agora tomado pelo cansaço, ficava pior ainda. E Mahut não tinha como devolver os saques de Isner a ponto de estar em condições de quebrar o adversário. Mas Isner teve dois match points, só que Mahut salvou com dois aces. E logo eles haviam se tornado primeiro e segundo na lista de mais aces em uma partida. E a partida, que tinha virado vôlei, tomava ares de basquete. 41-40, 42-41. Isner fugindo, Mahut igualando o placar. E a pequena Quadra Dezoito havia se expandido. Todo mundo queria agora um pedaço daquele momento histórico. Com a educação inerente aos ingleses, eles se acomodavam, se aglomeravam. Muitos na Quadra Dezoito, como ela nunca deve ter visto. Outros tantos atrás de monitores de computador, e uns ainda na Henman Hill. E então, pela primeira vez na história de uma partida de tênis, os jogadores venceram a máquina. No 50-50, a partida que agora já atraia os olhares do mundo, passava das 7 horas fez o Scoreboard da IBM pifar: o quinto set marcava 1-0 para o americano, como se uma página tivesse sido virada. Comecem outra vez, ele parecia insinuar. E o placar eletrônico também pedia água. Escureceu, e apenas as duas placas amarelas com os nomes dos duelistas permaneciam. De resto, apenas espaços negros. Mas cinqüenta era pouco, sete horas era pouco. E Isner confirmou, 51-50. Mahut voltou a igualar. E assim seguiram por mais oito games: aces, winners, saques confirmados. E os dois correndo – Mahut, inclusive, caindo aqui e ali, ao melhor estilo Boris Becker, deitando sobre O Gramado Sagrado da Quadra Dezoito e tirando um cochilo, tenho certeza. Substituíram as bolas e os pegadores. Pobres crianças, vão ficar traumatizadas e nunca mais vão querer saber de entrar em uma quadra de tênis, nem que seja no Paraíso. A noite caia, e Bob Bryan, no Twitter, afirmava que tínhamos mais quarenta minutos de luz. Não chegou a tanto, creio eu, mas no 59-59, com exatas dez horas de partida – um recorde; só o quinto set foi mais longo do que a partida entre Clement e Santoro… shame on you, guys – Mahut chamou o cara da organização de canto e disse algo como, posso imaginar: Mas, meu senhor, não consigo mais ver a bola. Por mim jogaria mais quatro horas, até a morte, como diz o regulamento. Mas não consigo enxergar a bolinha, seja complacente. E então o senhor deve ter virado para o juiz e dito: Mohammed, terminamos por aqui, hoje? E Mohammed deve ter dito: John, terminamos por aqui hoje? E John Isner deve ter dito, esbaforido: Se é para o bem de todos e da nação, terminamos por aqui hoje. E, esfriando o apelo popular do Twitter, de tenistas como Dani Hantuchova e Victoria Azarenka, além de Svetlana Kuznetsova, o senhor encarregado da organização do torneio decretou que a partida estava terminada por hoje.

Um dia inteiro. E nenhum vencedor. É uma pena que o esporte não possibilite que haja um empate entre os dois guerreiros. São dois vencedores, exemplos de perseverança. Poderiam muito bem ter desistido, desamarrado seus burrinhos, montado em seus lombos com os bolsos um pouco mais cheios e partidos. Mas ficaram. E disputaram, por 118 games, uma vaga na segunda fase de Wimbledon. Muito provavelmente a partida será rapidamente decidida amanhã. Os músculos vão esfriar, e quem tiver o melhor condicionamento físico leva em dois ou três games. Por isso esse post é feito hoje. Para que a impressão que fique seja a da plena igualdade. Dez horas, cento e dezoito games de desempate depois e nenhum vencedor. Por volta de cento e vinte aces, senão mais, quinhentos winners, novecentos pontos disputados. Um exemplo de competição elevado à máxima potência. Não esperem muita coisa de Isner e Mahut, no entanto. Dificilmente vencerão o jovem Thiemo de Bakker, que fechou seu jogo em 16-14 no quinto, porque no quinto não tem desempate, é até a morte, e a morte de Santiago Giraldo foi ao tentar manter o saque no 14-15. É isso, acontece. O que não acontece sempre – e nunca vai se repetir – é um 59-59. Vinte e três de junho de dois mil e dez, Quadra Dezoito de Wimbledon. Senhores, vocês viram a história ser escrita.

Por Pedro Liguori

ST Team! 😉

Wimbledon – Days I, II, III & IV

In tennis, Wimbledon on 24/06/2010 at 01:13

Photo: Google Images

O Grand Slam mais tradicional do ano começou nesta última segunda-feira, tenho a impressão, apenas para calar a digníssima boca de Fernando Meligeni, que disse que a grama era para as vacas.

Tenho certeza que ele gostaria de ser uma destas vacas.

Como fiquei devendo um preview daqueles que vocês jamais esqueceriam, vou fazer um resumo dos 3 primeiros dias de jogos no All England Club. Já tivemos inúmeras ‘quase-zebras’, 2 Top 10 caindo e um jogo com placar, digamos… peculiar.

Além disso, temos palpites para os jogos do dia 4 do torneio.

Análises passionais oriundas da minha pessoa e a análise mais sagaz do mundo esportivo vinda diretamente da Sérvia texana, ou do Texas sérvio, como preferirem, para que ninguém diga que não avisamos. Resumo: somos fodas mesmo!

A verdade é a seguinte: este post é apenas um aperitivo para o que virá a seguir. Let’s play!

Day I

Falla falhou e Federer ficou com a vitória em 5 sets.

Ok, eu não traduzi a essência do jogo e priorizei as palavras que começam com F por puro prazer.

Enfim, o colombiano sacou para FECHAR o jogo. Sim, Falla sacou para F-E-C-H-A-R o jogo contra Federer em Wimbledon. Não conseguiu e tomou um pneu.

Djokovic sofreu, sofreu, sofreu, sofreu, sofreu (riscou, sorry!) mas venceu Rochus no quinto set com uma ajudazinha da organização que paralisou o jogo por 20 minutos para fechar o teto, o que ajudou o sérvio, jogador com um dos piores físicos do circuito.

Davydenko passou também em 5. Também de virada.

Roddick passeou e perdeu apenas 7 games para Rajeev Ram.

Cilic perdeu, Ljubicic se foi, Hewitt venceu em 4.

No feminino: Venus venceu, Clijsters e Henin também.

E assim acabou o primeiro dia em Wimbledon.

Day II

Dia chatíssimo.

Murray venceu em 3.

Nadal venceu em 3. Nishikori decepcionou Pedro Liguori ao extremo.

Blake perdeu em 3 rápidos sets.

E ainda tentaram me convencer que a chave do espanhol era a mais difícil do torneio. Mas não é mesmo.

Soderling passeou. Também perdeu apenas 7 games. E teve gente apostando que o Ginepri levava em 4 sets (tsc).

Youzhny, o melhor russo de todos os tempos depois de Marat Safin, venceu Sela, o carrasco de Andy Roddick em Queens, em 4 disputados sets.

Verdasco foi o primeiro Top 10 a deixar o torneio. O espanhol foi vencido pelo italiano Fabio Fognini, também conhecido como Andreas Seppi ou Filipo Volandri.

Tsonga venceu em 4, mas seu tênis não convenceu.

No feminino, a se destacar a vitória fácil de Serena Williams, num torneio que deve ficar com uma das irmãs ou com uma belga.

E assim acabou o morno dia 2 de Wimbledon.

Day III

O dia 3 de Wimbledon. Dia que não será marcado pela ótima vitória de Roddick sobre Llodra em 4 sets, nem pelas vitórias de Djokovic (em 3), Federer (difíceis 4 sets contra o número 152 do mundo) ou Berdych (tranquilos 3 sets). Nem pela despedida de Davydenko (4 sets).

Clijsters, Venus e Henin também venceram, mas o jogo do dia, do ano, da década, do século e possivelmente de toda a história do tênis aconteceu na quadra 18, entre John Isner e Nicolas Mahut.

O placar parcial da partida que começou dia 22 e só terminará – assim eu creio – no dia 24 de junho de 2010, aponta 6-4, 3-6, 6-7, 7-6, 59-59. Você leu direitinho… CINQUENTA E NOVE a CINQUENTA E NOVE!

Mais sobre a partida num post daqui a pouquinho.

Pedrinho se superou e fez o possível melhor texto de todos os tempos. Acho até que ele merece um aumento. Ou um elogio. O que eu achar melhor (rs).

E assim o dia 3 de Wimbledon ‘acaba’, sem que o que de melhor houve acabasse.

Day IV – Palpites do Sports Tour

Murray x Nieminem (H2H: 2-0):

Eu: Nieminem é o mesmo que levou Andy Roddick aos 5 sets em Roland Garros? Grande coisa. Murray em 3 sets.

Pedro ‘Morra Mahut’ Liguori: Coitado do Nieminem. Vai levar um coro diante da Rainha. Murray, com facilidade, em 3.

Nadal x Haase (H2H: 0-0):

Eu: Haase passeou em quadra na primeira rodada contra Blake. Acredito que o jogo não será fácil, mas Nadal passará em complicados 3 sets.

Pedro ‘Benneteau I Love You’ Liguori: Nadal é um sujeito amigo. Justamente por isso, o Haase vai estar em casa pra assistir o jogo da Holanda contra Camarões. 6/2, 6/3, 6/1.

Soderling x Granollers (H2H: 3-1):

Eu: Que sono. Não consegui dormir bem esta noite. E essa vai ser daquelas partidas chatinhas que me ajudariam a dormir melhor. Não pelo sueco, é claro. Ele é amplo favorito e deve ganhar em 1 hora e meia. Rápido e indolor, como um Dramin.

Pedro ‘Ivanisevic Rules’ Liguori: Se nem no saibro deu pro espanhol… o Australian Open foi um caso à parte. Dá Soderling, fácil.

Dolgopolov x Tsonga (H2H: 0-0):

Eu: Hum. Pode ser interessante. Vou arriscar e apostar as minhas fichas no ucraniano. Dolgopolov em 5 sets. Mas o último nem chega aos 13 games (hehe).

Pedro ‘Wawrinka is Good’ Liguori: Dolgopolov não é um mal jogador. Mas Tsonga é um top 10. E mesmo não apostando nele pra ir muito longe, pelo menos do ucraniano ele ganha, com um sustinho aqui outro ali.

Ferrer x Serra (H2H: 2-0):

Eu: Ferrer vence em 4 sets. Ou não.

Pedro ‘Soderling is the Best’ Liguori: Complicado. Ferrer não me inspira grandes confianças, mas Serra… menos ainda. Acho que o espanhol ganha essa.

Querrey x Dodig (H2H: 0-0):

Eu: O americano é a última esperança para que Andy Murray enfrente um adversário decente antes das semifinais. Ele leva em 3 sets.

Pedro ‘I Want some Mardy Fish for Dinner’ Liguori: Querrey. Simplesmente pelo fator saque. E o Dodig não é um Mahut da vida. Até acho que o Querrey é melhor que o Isner, mas tem menos cabeça. Vai fácil essa.

Belucci x Fischer (H2H: 0-1*):

Eu: O brasileiro número 1 do mundo passará em 4 sets. Guardem minhas singelas palavras.

Pedro ‘Mister Kirilenko’ Liguori: Não conheço o Fischer, mas conheço o Bellucci. E aposto nele, com meio pé atrás.

Mahut x Isner (59×59 em andamento) (H2H: 0-1):

Eu: Nunca dou sorte nesses tie-breaks longos. Se eu torço pra fulano, o ciclano vence. Eu estava torcendo para o francês, mas agora não quero que ninguém perca. Ainda assim, acho que o americano acaba levando por 63-61. Um clássico instantâneo.

Pedro ‘James Blake Orelhudo’ Liguori: Não teremos mais sete horas de jogo amanhã. O físico dos dois já foi embora, e acho que a conclusão vai ser rápida. Confio mais no americano, 63-61.

Outros jogos da rodada:

P. Petzschner vs. L. Kubot (H2H: 0-0)

G. Simon v. I. Marchenko (H2H: 0-0)

X. Malisse vs. Julian Reister (H2H: 0-0)

A. Beck vs. J. Benneteau (H2H: 0-0)

A. Seppi vs. Tobias Kamke (H2H: 1-0)

F. Fognini vs. Michael Russell (H2H: 0-1)

L. Lacko vs. J. Chardy (H2H: 2-0)

*Jogo válido pelo Challenger de Recanti, em 2009. Portanto, não conta para as estatísticas oficiais da ATP

É isso aí, pessoal! (Pernalonga está entre nós!) Fiquem ligados no próximo post. Vocês não irão se arrepender.

ST Team! 😉