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La Furia Roja!

In futebol, World Cup on 12/07/2010 at 23:31

Spain celebrates the World Cup title (Photo: Reuters)

E foi com um beijo que nos despedimos da Copa do Mundo.

Um Mundial que consagrou fora do campo a beleza paraguaia, a inteligência marinha e o peculiar barulho africano.

Dentre dele, o bom futebol uruguaio, a juventude alemã, a força holandesa e a Fúria de Xavi, Xabi, Iniesta, Villa, Torres, Navas, Pedro, Puyol, Piqué, Capdevilla, Llorente, Ramos, Busquets, Fabregas e Casillas.

A Espanha esperou 80 anos para ser campeã do mundo, e assim o fez.

Mas não ontem.

O fez quando derrotou a Alemanha na final da Eurocopa de 2008.

O fez quando passeou nas eliminatórias européias.

Continuou a fazer mesmo quando derrotada foi pelo ferrolho suíço na primeira rodada do Mundial.

Não abaixou a cabeça, nem mesmo se abalou com as acusações da imprensa espanhola que culparam a namorada-repórter por estar atrás do gol do namorado-arqueiro.

Pobre Espanha. Nunca uma seleção derrotada na primeira rodada tornou-se campeã.

A Alemanha dava show, as favoritas venciam. A Espanha não.

Veio Honduras. Os palpiteiros de plantão apostaram em 4, 5, alguns ousados em 6 gols para a Espanha. Mas não. Foi 2 a 0. Futebol bonito e honesto. E a Espanha estava na briga.

Veio o Chile. 2 a 1. A Espanha era a primeira do grupo e marcava encontro com Portugal de Cristiano Ronaldo, Simão Sabrosa e Eduardo.

E foi Eduardo quem parou a Espanha.

Pobre Espanha. Pra quem era a favorita, decepcionava.

1-0. E a Espanha está nas quartas.

Veio o Paraguai. Um jogaço. Um jogaaaaaaaaaaço. Casillas pega um pênalti. Xabi Alonso perde outro.

Pobre Espanha. Amarelando mais uma vez.

1-0.E a Espanha está nas semis.

Era a hora da Alemanha. A sensação da Copa vinha de vitórias convincentes contra Inglaterra (4-1) e Argentina (4-0).

Pobre Espanha. Não vai ter chances.

Ter muita posse de bola não bastava. Ter o artilheiro do Mundial não bastava. Ter um melhor time não bastava.

Mas bastou.

1-0.E a Espanha está em sua primeira final de Copa do Mundo.

Veio a Holanda. E Pedrinho escreveu as palavras mais honestas sobre o sentimento laranja nesta Copa, não publicadas aqui por falha do editor que vos fala:

Não sei por que eu resolvi me apaixonar tanto pelo futebol holandês. Não sei por que eu decidi decorar as escalações dos dois finalistas da primeira copa disputada na Alemanha aos onze anos (e logo fui reprimido pela minha avó: “Pensa em coisas do presente, menino!”). Talvez tenha sido aquele time do Barcelona, com Hesp, Reiziger, Frank e Ronald de Boer, Cocu, Van Bronckhorst, Kluivert e Overmars. Ou Bergkamp, o melhor centroavante holandês das últimas décadas. Talvez tenha sido a história, de futebol bonito. Talvez seja simpatia pelos derrotados em duas copas seguidas. Não sei. Sei que, hoje, a Holanda é uma realidade em minha vida. Desde 2004. E lá se vão 6 anos.

E esqueço aqui o meu discurso jornalístico. A Espanha nunca teve um Cruyff. Nunca teve um Arie Haan, um Nesekens, um Rensenbrink, um Bergkamp, até mesmo um Kluivert. A Espanha teve Zamora, Butragueño, Gento – que nem se comparam. A Espanha nunca chegou a uma final de mundial. Se existe um time que merece mais do que ninguém esse título, esse time é a Holanda.

E a Espanha não teve mesmo um Cruyff. Gigante que valia por 11.

Mas teve um time de 11 jogadores que valia por um grande time – liderado por Casillas.

Ah, Casillas. A culpa foi sua, sim.

Você foi o culpado por comandar a seleção que jogava como nunca, amarelava como sempre, a superar por 1-0 – mais uma vez- os gigantes holandeses.

Pobre de nós por não termos Iker Casillas.

E foi com um beijo que ele quis que o Mundial da África se despedisse.

ST Team! 😉

As semifinais da Copa

In futebol, World Cup on 06/07/2010 at 01:00

Reprodução: Terra / Getty Images

Mais uma vez, quero pedir licença poética – e comercial – para falar com vocês, queridos leitores assíduos do Sports Tour. Hei de ser perdoado, novamente, mas acho que o CEO desse blog vai chiar, nem que seja um pouco, nem que seja com bom humor. Mas eu, como amante tanto do futebol quanto das palavras, não poderia evitar criar um post particular para os jogos entre Holanda-Brasil e Uruguai-Gana. Entendo que ele excede o limite de posts programados pelo Comandante da Nave Sports Tour, que não quer que a homepage seja bipolarizada com postagens sobre a Copa do Mundo e Wimbledon, entendo o lado dele, sem dúvidas que sim. Mas, como estamos em uma (falsa) democracia, TUDO PODE MUDAR. E para isso, apelo a vocês, queridos leitores, que fazem de nós dois jovens – eu mais jovem do que ele – bloguísticamente realizados. São quase 1,500 visitas, isso se esse numero já não tiver sido ultrapassado enquanto eu escrevo esse texto. Tenho certeza de que se vocês, leitores, escreverem nos comentários que querem sim ler o meu texto sobre o primeiro dia das quartas-de-final, tenho certeza de que o coração duro e cigano do meu querido Empregador irá mudar. Manifestem-se! Garanto que não irão se arrepender (ou não).

Agora, às semis!

Serão jogados, terça e quarta-feira, dias 6 e 7 de Julho, os últimos dois jogos antes da Grande Final do dia 11. No dia 6, às 15h30, na Cidade do Cabo, Uruguai e Holanda se enfrentam. Já no dia seguinte, no mesmo horário, para você que acessa o Sports Tour do Brasil, em Durban, a Alemanha pega a Espanha por uma vaga no “ultimate show” do Mundial da África do Sul.

Rapidinho, rapidinho, como manda a cartilha cacwhere de blogueiros esportivos, comentários sobre as duas partidas.

Uruguai v. Holanda

Mais um jogo histórico na conta da Copa da África. O heróico Uruguai, que surpreendeu o mundo (ok, exagerei) repete sua campanha de 1970, quando teve seu último grande time, e busca uma vaga na final pela primeira vez desde 1930 – vale lembrar que em 1950 foi disputado um quadrangular. Portanto, é valido dizer que a Copa do Brasil foi a única sem uma final – e tem, como último obstáculo, os bons holandeses. A verdade é que, se o Uruguai não encanta, Óscar Tabarez montou um time ajeitadinho, que joga sem se comprometer. Embora venha desfalcado do capitão e líder Diego Lugano – machucado, que deve ser substituído por Scotti – e do artilheiro e salvador da pátria Luis Suárez – suspenso por ter sido expulso num lance de muita coragem, e que deve ser substituído pelo herói da classificação, Sebástian Abreu – vejo que o Uruguai pode sim engrossar o caldo para cima da laranja. Claro, isso não significa em hipótese alguma que apostaria no Uruguai para fazer uma laranjada, mas que eles não vão vender fácil, não vão.

No jogo contra Gana pude constatar que Forlán jogou quase como um armador, buscando a bola dos volantes e conectando o ataque. No segundo tempo, também vi Suárez fazendo esse papel – o que não deve se repetir no jogo contra a Holanda, já que é de se esperar que Abreu fique na área, esperando cruzamentos de Forlán, Fucile e Cavani. Portanto o Uruguai perde um pouco em mobilidade. Já na defesa, acho que a falta de Lugano pode até ajudar o Uruguai. Sim, é isso mesmo. Não é segredo que Lugano é a encarnação do espírito porteño de jogar bola, constatado ao longo dos anos. Lugano, mesmo sendo muito habilidoso, bate. E contra um ataque rápido e técnico como o da Holanda, com Robben, Kuyt, Van Persie e Sneijder, isso poderia acarretar uma expulsão. E, com 10 em campo, seria praticamente impossível aos Cisplatinos buscar uma vitória. Terminando, o Uruguai é um time valente. Embora não tenha enfrentado grandes times – uma destroçada França, a pobre África do Sul, os acomodados mexicanos, a Coréia do Sul e a motivada Gana não são potências futebolísticas – o Uruguai joga por um nome e uma história. Muslera deve relembrar Mazurkiewics ao entrar em campo; Forlán, o herói Ghiggia; Scotti deve buscar inspiração em Hugo De León e Edinson Cavani, habilidoso meio-campista poderia rezar para jogar como Francescoli. Motivação do lado sul-americano não deve faltar. Tampouco empenho.

Oito participações em mundiais, quatro semi-finais e duas finais. Esse é o retrospecto da Holanda, que chegou como favorita no inicio do certame e continua, ainda mais, para essa semifinal. Vejamos. História a Holanda tem – pelo menos quatro grandes times, em 74, 78, 94 e 98. Material humano, também – uma linha de frente de dar inveja, com quatro avantes que se destacam em grandes times da Europa. Invencibilidade não é problema. Boa fase também não, já que os Laranjas venceram todos os cinco jogos que disputaram na África do Sul até agora. Por isso, a Holanda é mais do que favorita contra o Uruguai. Mas isso não seria o suficiente para vocês, fãs sedentos por conhecimento. Então vamos lá. A Holanda venceu um apático Brasil, e não importa em que circunstâncias, vitória é vitória e vice-versa. A defesa não comprometeu TANTO contra o ataque canarinho, e olha que ele é infinitamente melhor do que a linha de frente azul-celeste. Sneijder briga pela artilharia do mundial, e se ele conseguiu fazer da Internazionale campeã européia, consegue fazer jogar Robben, lá na frente. Kuyt joga quase como Forlán, como um meia de ligação, ofensivo, também. Van Persie é o ponto fraco do ataque holandês, digo-lhes. Correm boatos de que ele não joga, com o braço machucado. Talvez Huntelaar fosse uma boa opção para o jogo aéreo. Ou Elia, jovem e rápido atacante negro, que talvez um dia vá ser comparado a Patrick Kluivert. Mas Van Persie deve ir pro jogo também, então isso vai certamente preocupar os fãs da Holanda. Do meio para trás, admito, a seleção holandesa é pavorosa. Van Bommel me causa arrepios desde que jogava pelo Barcelona; Gio van Bronckhorst, em seus últimos jogos como profissional, é como todo lateral envelhecido: marca mal e apoia pior ainda. Como Van der Wiel está suspenso, Khalid Boulahrouz deve jogar pela direita. Já a defesa, com Ooijer e Heitinga deve enfrentar sérios problemas com Loco Abreu. Ou seja, é bom que o ataque resolva.

Meu palpite: Mesmo com problemas de defesa, a Holanda deve ganhar, 2-1, com certo sufoco. Aliás, não me surpreenderia se os uruguaios tomassem a ponta no placar e depois sofressem a virada. Pena que os sul-americanos vão jogar apenas para terminarem em terceiro lugar no mundial.

Alemanha v. Espanha

Opa, opa. Temos algo errado aí, diria alguém, vendo os jogos dessas duas seleções na Copa. A Alemanha vem jogando como a Espanha se propôs, e a Espanha vem decepcionando, mas avançando? Nossa. Mas é, é isso mesmo.

A Alemanha, que encantou o mundo com um futebol ofensivo e de toques rápidos e precisos contra a Austrália, na estreia, e decepcionou no jogo contra a Sérvia, voltou a encantar. A última vitima, a Argentina do técnico Maradona, que vinha bem cotada, tomou de quatro e se despediu humilhada do mundial. Qual o segredo da Alemanha, sábio mestre?, me perguntaram outro dia. Pois bem, jovem gafanhoto, respondi, enquanto acendia um incenso. A Alemanha ataca em bloco, e tem na criação dois excelentes jogadores, de modo que eu não via na seleção tedesca há muito tempo. Schweinsteiger e Mesut Özil colocaram a fraca defesa argentina no bolso. Bastian, do Bayern, joga com a cabeça erguida, e no terceiro gol alemão costurou a defesa adversária com maestria, antes de servir a Jabulani numa bandeija para Arne Friedrich. Özil é veloz e adora também deixar os companheiros na cara do gol. Mais à frente, Klose é matador. O polonês naturalizado sente o cheiro das redes, e está sempre bem posicionado para dar o último toque – não ocasionalmente, já deu o último toque em mundiais 14 vezes, apenas um a menos do que Ronaldo, sumo-goleador de mundiais. Mesmo sem a revelação do mundial, Thomas Muller, suspenso, e que deve ser substituído por Cacau, não acho que a Alemanha perca ofensivamente. Aliás, acho que pouco muda. Podolski continuará fazendo o seu papel, e a Alemanha segue forte. Na defesa, a Alemanha, mais uma vez, não compromete. Talvez o único elo… não digo fraco, mas sim mais ou menos, seja o goleiro Neuer, que não me convence de todo.

Já a Espanha não anda toda Furiosa assim. Ganhou no sufoco do Paraguai – com erros de arbitragem para os dois lados – e, para mim, perde essa semifinal contra a Alemanha. Fernando Torres não vem em uma boa fase. Fosse eu Vicente Del Bosque, escalaria Llorente. David Villa, futuro jogador do Barcelona, vem chamando a responsabilidade – e os gols – para si. Ele é um dos ‘3’ do engenhoso esquema 4-2-3-1 (argh), junto com Xavi e Xabi Alonso. Iniesta e Busquets jogam um pouco recuados, como volantes – mais Busquets do que Iniesta, já que este sai mais para o jogo. Assim como no jogo contra o Paraguai, a chance da Espanha ganhar é numa jogada individual. Se bem que a Alemanha é muito mais bem estruturada do que os paraguaios.

Meu palpite: Se a Espanha pode ganhar? Pode, claro. Tem talento o suficiente para isso, mas não me convenceu ainda nessa Copa, e o tempo tá se esgotando. Vou com a Alemanha, 2-0 ou 3-1, impondo seu melhor jogo à base do toque de bola – que é exatamente o que a Espanha planejava fazer. Aos espanhóis, restará disputar com os uruguaios sua melhor participação em um mundial – terceiro, superando o quarto lugar no quadrangular de 1950.

That’s it. Para todos os efeitos, fiquem ligados nas duas disputas. Tanto para saberem se esse humilde assistente de blogueiro dará palpites certeiros quanto para tirar uma com a minha cara a cada erro crasso cometido por mim.

ST Team! 😉

As quartas da Copa do Mundo

In futebol, World Cup on 02/07/2010 at 12:05

Eram dezesseis. Agora, com Coréia do Sul, EUA, Inglaterra, México, Chile, Eslováquia, Japão e Portugal se juntando aos eliminados na primeira fase, arrumam suas trouxinhas e voltam para seus países. Para eles, o sonho da África terminou. E acho que em nenhum doeu mais do que nos ingleses, para quem duas guerras mundiais e uma Copa do Mundo não adiantaram de nada. Restam agora, após as oitavas de final, oito times na disputa pela taça de campeão do mundo da Fifa. Desses oito, quatro sul-americanos – apenas o Chile, dos classificados pela Conmebol, já deu adeus ao mundial – causando uma supremacia jamais vista. Completam a lista das oito melhores seleções do mundo ainda três europeus e um africano. Sem mais delongas, vamos às análises dos quatro jogos que definirão os semi-finalistas do campeonato mundial.

Holanda vs. Brasil

Um clássico do futebol mundial que abre as quartas-de-final. Sexta-feira, 11 da manhã, como vocês já devem saber, já que jogos do Brasil resultam em feriados. Primeiro, um historical overview desse confronto. Brasil e Holanda já se enfrentaram três vezes em mundiais, com uma vitória para cada e um empate, que resultou com vitória brasileira nos pênaltis. A Holanda, como todos sabem, revolucionou o futebol com o carrossel da metade da década de 1970 – fazendo as duas finais de Copa desse período, em 74 e 78. E, se a Laranja Mecânica nunca mais voltou a uma decisão de Mundial, pode botar a culpa no Brasil. Em 1994, pelas mesmas quartas-de-final, Branco acertou aquele petardo que deu a vitória ao Brasil, 3-2. Se a Holanda tivesse vencido, duvido que teria parado na Suécia. Quatro anos depois, um dos jogos mais marcantes de todos os tempos. Após empate por 1-1 no tempo normal, a disputa por uma vaga na final foi decidida nos pênaltis. E deu Brasil, que acabaria perdendo por 3-0 para a França naquele jogo memorável.

Mas Rinus Michels e Cruyff são agora apenas pôsteres na parede de qualquer fã do bom futebol. O aqui e agora, para a Laranja que tenta voltar a ser Mecânica, um robô impiedoso que passa por cima de todos seus adversários, é a geração de Robben, Sneijder e Van Persie. Após o naufrágio diante da Rússia, na Euro-08, Van Basten caiu – e achei bom; ele era um excelente jogador, um dos melhores centroavantes de todos os tempos, mas como técnico deixava a desejar – e quem assumiu foi Bert Van Marwijk, que tinha como principal missão dar uma cara nova ao selecionado dos Países Baixos. E assim o fez. A Holanda agora não joga no ritmo da dança flamenca, que suponho eu que deva ter surgida na Bélgica, vizinhança, portanto. A Holanda não encanta nesse mundial. Mas joga como a Alemanha. Feio, mas vence. Fria e precisa, a Holanda tomou apenas dois gols nessa Copa do Mundo, e não fez outro resultado além de vitórias – passou por Dinamarca, Japão e Camarões na primeira fase e despachou de volta para Bratislava os eslovacos nas oitavas de final. Poderia prolongar essa análise, mas isso geraria descontentamentos. Portanto, sucintamente, digo que a chave da Holanda é o cerebral Sneijder – que deve ser marcado deslealmente por Josué amanhã – e a jogada típica de Robben, na qual ele corta para o meio e chuta. No entanto, a defesa laranja é péssima. Comparável a da Atgentina, com Demichelis, Heinze, Otamendi e Burdisso. E é bom não dar chances contra um ataque que tem Luís Fabiano e Robinho – que superam e muito Boulahrouz, por exemplo.

Já o Brasil… bom, é o Brasil, e isso já seria suficiente. Mas, como não sou superficial, aprofundarei no assunto. O Brasil tem a cara de Dunga. É truculento, com um meio de campo cheio de volantes, que deve ganhar ainda mais peças para marcar a intermediária talentosa da Holanda, deixando Kaká, Robinho e Fabiano no ataque. Tem a melhor defesa do mundo, ao contrário dos holandeses. É um time mais equilibrado, no papel, sem dúvidas. Dunga é eficiente, inegável. Mas o Brasil alterna bons e maus jogos. Péssimo contra a Coréia do Norte, ganhou de Costa do Marfim com louvor e empacou em Portugal. Nas oitavas, goleada sobre o Chile, o que não deve ser levado muito em conta, já que os chilenos são freguesia fiel. A chave para o Brasil sair vitorioso é apostar nos contra-ataques e explorar a fragilidade do sistema defensivo holandês, que nem de longe lembra os tempos em que era composto por Michael Reiziger abrindo pela direita, Frank de Boer e Jaap Stam dando segurança ímpar a Van der Saar e não me lembro quem era o lateral-esquerdo. Winston Bogarde, talvez?

Minha aposta: Dessa vez não escondo de ninguém. Sempre fui um fã tanto do futebol quanto da cultura holandesa, e desde a Euro-04 estou com a Holanda. Tive as duas camisetas que a Laranja usou na Copa de 2006, fora o modelito da Euro-08, estragado durante o trote esse ano. Chorei como nunca. Vou com a Holanda, portanto, imaginando que é o único time que pode impedir o hexacampeonato dos meninos de Dunga.

Uruguai vs. Gana

Mesmo não parecendo, dia 2 de julho terá outro jogo, às 15h30. Uruguai e Gana enfrentam-se pelo direito de disputar a terceira colocação no mundial, o que é uma puta duma honra, sem dúvida. Achar que Uruguai ou Gana podem derrotar o vencedor do outro jogo beira a ingenuidade; não há otimismo que chegue a tanto. O Uruguai, que antes eu disse que era o melhor time desde Francescoli, se mostrou o melhor time desde a geração de Ancheta, em 1970. Passou pela Coréia do Sul com dois gols do matador Suárez, que atua pelo Ajax, da Holanda. Mas tomou um certo sufoco, e não deve ter vida fácil contra a Gana do técnico Milovan Rajevac, a última esperança do continente africano de atingir uma inédita semi-final.

Pouco assisti o Uruguai nessa Copa. Falando a verdade, assisti aquele modorrento Uruguai vs. França, jogo no qual o futebol perdeu e também a vitória de 3-0 da celeste sobre os Bafana-Bafana. Forlan, na ocasião, jogou muito bem e foi decisivo. Agora, pelo que sei, joga mais recuado, não como centro-avante, mas quase como um armador, talvez. Tem a chance de obter um resultado igual ao da Copa de 70 – última grande participação uruguaia em mundiais – quando enfrentou o Brasil na semi-final.

Mas, para tal, além de contar com uma vitória canarinho mais cedo, o Uruguai precisa vencer a embalada Gana, que, se não encanta como as seleções africanas do principio da década de 90, vence. Gana eliminou os entusiasmados americanos nas oitavas de final, na prorrogação, com gol do artilheiro Gyan, possibilitando, assim, aos Black Stars, igualar as melhores campanhas africanas em mundiais, chegando às quartas assim como Camarões em 1990 e Senegal em 2002. Camarões acabou eliminado pela Inglaterra, e Senegal, pela Turquia. Ambos tinham mais time do que essa seleção de Gana, que vem para sua segunda Copa do Mundo. Poderão os Estrelas Negras escrever uma nova página na história do futebol africano?

Minha opinião: Tendo a ir com o Uruguai. Gana não me empolga – não joga um bom futebol, pelo contrário. Os dois gols que marcou na primeira fase foram de pênalti – incluindo um ridículo cometido por Kuzmanovic, da Sérvia. Além do mais, Gana eliminou dois dos três times que tinha dito que estava torcendo. Quero mais é que sejam eliminados.

Argentina vs. Alemanha

Se a manhã do dia 2 reserva o clássico entre Holanda e Brasil, a do dia 3 de julho não fica devendo em nada. Portanto, recomendo a todos os fãs de futebol que estejam de pé e a postos às 11 da manhã do domingo para prestigiarem um dos maiores clássicos do futebol mundial. Alemanha e Argentina escreveram juntas três páginas importantes da história dos mundiais. A primeira, em 1986, consagrou Maradona como o grande craque que ele foi, e culminou com o segundo título mundial da Argentina, com vitória por 3-2 na final sobre os germânicos. Eram dois timaços. A Argentina tinha Maradona e Valdano, e a Alemanha, Rummenigge e Matthaus. Quatro anos depois, os dois selecionados voltaram a se encontrar, e pela primeira vez uma final de Copa do Mundo se repetiu exatos quatro anos depois. Desta vez em solo italiano, a Alemanha de Brehme, Matthaus e Schumacher enfrentou a Argentina de Goycoechea, Maradona e Caniggia. A pior copa de todos os tempos terminou com o último triunfo alemão até agora, 1-0, gol de Brehme. Por fim, quatro anos atrás, na Copa da Alemanha, os dois se enfrentaram na mesmíssima fase de quartas-de-final. A Argentina saiu na frente, mas os alemães recuperaram o terreno perdido, Klose, o artilheiro, empatou o jogo, provocou a disputa por pênaltis, que terminou com a classificação da Alemanha para a semi-final.

Em 2010, Maradona reencontra a Alemanha, agora como treinador, com a missão de igualar seus feitos como atleta. A Argentina das eliminatórias, sob o comando de Diego Armando não empolgou, e não fosse Palermo, teriam ido para a repescagem, tal qual 1994. Mas, na Copa, deu liga, e a Argentina vem jogando um futebol de primeira. Embora a defesa seja fraca, como já disse anteriormente, o ataque é arrasador, e de ataque Maradona entende. Messi, Verón, Higuain, Diego Milito, Tevez, Di María, Aguero. Uma linha de frente respeitável, não? Higuain é o artilheiro do mundial, por enquanto, com quatro gols. Messi ainda não fez o seu, mas vem jogando demais. Tevez marcou um golaço contra o México (e um em posição de impedimento). “La Brujita” Verón arma jogadas como ninguém e, no banco, ainda tem Martin Palermo, amuleto do técnico. Nas oitavas, superou o México com uma incomum facilidade – e um gol irregular – por 3-1.

Joachim Low reinventou a Alemanha. Digo, reinventou com sucesso. Fabio Capello tentou reinventar a Inglaterra, mas falhou, e saiu da Copa pela porta dos fundos, após mais uma participação decepcionante do English Team. Já a Alemanha não. Diferentemente do tempo em que Bierhoff e Klinsmann eram referencia no ataque, e que a principal jogada era o cruzamento e a força defensiva, agora a Alemanha joga leve e solta, digo eu. Özil, o novo Overath, como disse Galvão Bueno, é um meia habilidoso, de origem turca, que dá a cadencia ao meio de campo e liga o ataque com precisão. Phillip Lahm, lateral que joga pelos dois lados do campo, apóia e chuta bem – foi dele o primeiro gol da Copa de 2006. Schweinsteiger segue à risca o manual de segundo volante: marca e sobe ao ataque. Também é um excelente chutador, talvez o substituto de Torsten Frings na seleção. Podolski, segundo atacante, é rápido, e não raro dá assistências para Klose, principal centroavante do time tedesco. Klose está machucado? Sem problemas, no banco, Low conta com Mario Gomez, um substituto a altura de Klose, Thomas Muller, que divide a artilharia do mundial, e o brasileiro naturalizado Cacau, que se joga pela Alemanha deve ser tratado como alemão. Ponto. Voltando ao esporte, a Alemanha apresentou um toque envolvente na estréia contra a Austrália, mas decepcionou contra a Sérvia. Venceu Gana e se classificou em primeiro do grupo. Nas oitavas, outro clássico, nova apresentação de gala. 4-1 sobre a Inglaterra, que teve um gol grotescamente ignorado pelo trio uruguaio. Resta saber se os germanos envolverão nossos “hermanos”, ou se serão envolvidos. Só para finalizar, caminho complicado, esse da Alemanha. Pode ser campeã só jogando contra velhos conhecidos: Inglaterra nas oitavas, Argentina nas quartas, Espanha na semi-final (reeditando a final da Euro-08) e Brasil ou Holanda na final. Vencendo todos esses adversários, com justiça a Alemanha poderá receber a alcunha de melhor time do mundo.

Minha aposta: Jogando como Argentina, a Alemanha vence merecidamente. Jogando como Alemanha, dá Argentina. É uma pena que esse jogo tenha de acontecer tão cedo.

Espanha vs. Paraguai

Por fim, terminando a fase de quartas, Espanha e Paraguai se enfrentam, dia 3, às 15h30, em um jogo interessantíssimo. O Paraguai sem Cabañas já faz sua melhor participação em copas do mundo, superando o tabu de nunca ter passado das oitavas. Já a Espanha tenta engrenar na competição – embora tenha vencido os últimos três jogos, não vejo os ibéricos tão temíveis assim – e superar sua melhor participação, que até agora foi a quarta posição, no Brasil, 60 anos atrás.

Assim como com o Uruguai, não acompanhei a participação paraguaia nessa Copa do Mundo. Assisti o jogo contra a Itália, mas não as partidas contra a Nova Zelândia ou a Eslováquia, por um motivo ou por outro. Também não assisti o duelo contra o Japão, mas, segundo informam minhas fontes, tal partida foi a cura para a insônia, de tão ruim que foi. Vi apenas os pênaltis, porque esses não tem como serem chatos. Mas Paraguai joga por Cabañas, acho que já disse isso, e agora faz o jogo mais importante de sua história, o duelo entre colonizador e colonizado. É difícil vencer a Espanha, sem dúvida. Mas a Fúria não é tão soberba assim, e a Suíça mostrou o caminho: os contra-ataques são a melhor arma contra a supremacia espanhola na posse de bola. Também cabe ao Paraguai não desgrudar de Iniesta e David Villa, assim como é imprescindível colocar um carrapato em Fernando Torres, atacante mais enfiado do time vermelho. Os espanhóis sempre tentam um último toque antes de finalizar, e raramente arrematam de fora da área. Além do mais, segurando a Espanha a paciência dos pupilos de Vicente del Bosque vai acabando, e aí é provável que Casillas seja o jogador mais recuado da Espanha, no círculo central. Um contra-ataque paraguaio pode ser mortal.

A toda-poderosa Espanha me decepcionou nesse mundial. Assim como acontece com a Inglaterra, a Espanha joga muito mais com nome do que com futebol, essa é a verdade. Dessa vez chegando à África do Sul como favorita absoluta, a Espanha tenta reverter a fama de amarelona. O time em si é genial, cheio de grandes nomes. Casillas, Puyol, Piqué, Sérgio Ramos, Xavi, Iniesta, Fernando Torres, David Villa, Busquets. E ainda tem como opções, no banco, Llorente, que fez uma ótima partida contra Portugal e Pedro, cria do Barcelona que adora fazer gols decisivos. Os blau-grenás, aliás, são a base desse time. E a seleção joga como o Barça, na base do bom toque de bola e das jogadas espetaculares. E esse é também o calcanhar de Aquiles da Fúria. A falta de chutes de fora da área limita muito as finalizações da Espanha, que prima para uma jogada bonita e difícil, ao invés de ir sempre para o lado mais simples. Os espanhóis parecem não entender que um chute de bico ou um gol de letra valem a mesma coisa. E gol é o que ganha jogo, não a plasticidade das jogadas. Não sei se há tempo de mudar a característica do futebol espanhol, e eles podem muito bem levantarem a taça, dia 11, jogando desse jeito. Mas que encontrará um caminho muito mais árduo, ah, isso sem dúvidas.

Minha opinião: A Espanha ganha, por 1 ou 2 a zero, e vai jogar a semi-final, quando perde para Argentina ou Alemanha. E volta para casa com mais uma decepção nas costas, deixando um zumbido de dúvida na orelha de cada espanholzinho, que mais uma vez se perguntará se um dia a Fúria será campeã do mundo.

Poderia falar sobre as semelhanças entre essa Copa e o Mundial de 2002, mas deixo para outro post. Finito.

ST Team! 😉

As Oitavas da Copa do Mundo

In futebol, World Cup on 26/06/2010 at 00:23

Photo: Google Images

Quando, em Pretória, o árbitro mexicano Marco Rodriguez soou seu instrumento de trabalho e pôs fim ao insosso toque de bola no campo de defesa entre jogadores espanhóis, findou também o último dos quarenta e oito jogos que compõe a primeira fase da Copa do Mundo. Todas as trinta e duas seleções haviam feito seus três jogos regulamentares e quinze delas se preparam para voltar para casa. Algumas de forma surpreendente, como os atuais campeões, os italianos, e outros nem tanto, como os pobres hondurenhos, que agora voltam para a terra de Zelaya, fazer o que, é a vida, e os anfitriões, os Bafana Bafana, coitadinhos, pelo menos nem avião terão de tomar. Dezesseis despedidas, dezesseis sorrisos – a lei de Newton, para cada ação, uma resposta – confrontam-se agora nas oitavas, quartas, semis e, por fim, na Grande Final, até que apenas um de trinta e dois sorria, enquanto os outros trinta e um choram, e invejam os vencedores, prometendo pegá-los daqui a quatro anos, dessa vez em terras tupiniquins, como foi também em 1950, na primeira Copa pós-guerra.

De qualquer forma, notei, como grande estudioso e admirador do esporte bretão que sou, que se notam muitas similaridades entre esse mundial e o disputado oito anos atrás, em um esforço conjunto de Coréia e Japão. Enumero essas similaridades ao mesmo tempo em que discorro sobre os duelos das oitavas de final.

Começando pelas semelhanças entre o primeiro mundial na África e a primeira copa disputada na Ásia… êpa, aí temos a primeira semelhança. Primeiro mundial em continentes emergentes. A diferença, no entanto, fica por conta da análise sócio econômica das duas – ou três sedes. Enquanto Japão e Coréia do Sul são pólos tecnológicos, cujas marcas têm um alcance global. Exatamente o oposto verifica-se na África do Sul. Tirando a petroleira Sasol, que patrocinou a Jordan na Fórmula 1 durante bons anos, não consigo lembrar uma grande empresa sul-africana. Batalhando para se erguer após duros anos de segregação racial, a África do Sul está longe de ser considerada uma potência econômica.

Esportivamente falando, notamos já no Grupo A a primeira relação. Formado por África do Sul, México, Uruguai e França, possui dois componentes iguais ao Grupo A estabelecido na Coréia do Sul: os europeus e os sul-americanos, que tinham a companhia de senegaleses e dinamarqueses. Também na classificação do grupo há semelhanças: em 2002, prevaleceram Dinamarca e Senegal. Hoje, os classificados foram Uruguai e México. Ora, além do vexame francês (que, sem em 2002 sequer marcou um gol, nessa ocasião quase repetiu a “façanha”, não fosse por Malouda), os classificados estão subjetivamente correlacionados. Pois alguém esperava algo de Uruguai ou Senegal, campeões do grupo? E não seria o México quase como a Dinamarca, uma segunda força, que avançaria tranquilamente em segundo atrás dos tradicionais Galos Azuis?

Argentina, Grécia, Nigéria e Coréia do Sul compuseram o Grupo B na África do Sul. Aí podemos mais traçar paralelos com o certame de 1994, no qual o grupo dos nossos Hermanos foi quase igual – exceção feita à Coréia do Sul; o quarto integrante, na ocasião, era a boa Bulgária de Stoichkov. No entanto, há como evocarmos o Grupo F, este baseado no Japão, do torneio de oito anos atrás. Tanto Argentina quanto Nigéria faziam parte do grupo da morte, que contava também com a Inglaterra de Beckham e a Suécia de Ibrahimovic e Larsson. Nas duas ocasiões, argentinos enfrentaram nigerianos em sua estréia no mundial. Nos dois casos, venceram, pelo mesmíssimo placar: 1-0, gol de Heinze que outrora fora do goleador Gabriel Batistuta. Entretanto, em terras jabulânicas os argentinos não fizeram o mesmo vexame de terras nipônicas: venceram também os outros dois jogos do grupo, somaram 9 pontos e avançaram de fase, levando consigo os sul-coreanos, que só tinham chegado às oitavas em uma única ocasião: jogando em casa, em 2002.

Encabeçado pela Inglaterra, o Grupo C pode ser considerado o primeiro sem paralelos com o mundial do Japão/Coréia. Talvez o mais próximo que posso chegar disso é mencionar que tanto lá quanto na África os bretões passaram em segundo, sem, no entanto, convencer, com os mesmos cinco pontos dos líderes da chave, os maiores expoentes do soccer, os Estados Unidos, classificados tal qual em 2002. Só que, desta vez, como campeões de grupo. Eslovenos também foram eliminados na primeira fase em sua única outra participação como país independente, igualmente em 2002. Já a Argélia não tenho nem de onde puxar referências: sua última participação em campeonatos mundiais fora vinte e quatro anos atrás, no México, quando não repetiram, nem de perto, a boa campanha de quatro anos antes, na Espanha, quando quase alcançaram uma histórica classificação.

No Grupo D, a Alemanha fez valer seu posto de cabeça-de-chave, maior e mais tradicional potência do grupo e chegou as oitavas, mais uma vez, como primeira colocada do grupo. Estreou na Copa com uma goleada – 4-0 contra a Austrália em 2010, metade dos 8-0 sobre a Arábia Saudita, em partida válida pelo Grupo E, em 2002 – não venceu o segundo jogo (empate contra a Irlanda por 1-1 lá e derrota para os Sérvios agora, 0-1), mas prevaleceu no terceiro. Os dois adversários do último confronto eram africanos: Camarões, em Shizuoka, e Gana, em Johanesburgo. No entanto, Camarões não teve a mesma sorte que os ganeses, e não conseguiu avançar para o mata-mata. E só. Nem Gana, nem Austrália nem Sérvia disputaram a Copa do Mundo de 2002, mas jogaram em 2006. Posso até escrever um post sobre isso, futuramente, mas vou excluir as semelhanças com o mundial da Alemanha deste, caso contrário posso criar uma bola de neve impublicável.

Grupo E, de Holanda, Japão, Camarões e Dinamarca, também pouco lembra a participação de suas seleções-integrantes em gramados nipo-coreanos: os holandeses não foram, interrompendo uma sequência de três participações consecutivas, os camaroneses acabaram igualmente eliminados – porém ao menos venceram uma partida e empataram outra – e os dinamarqueses não conseguiram superar os outros três selecionados e acabar como líderes do grupo. Portanto, digno de menção apenas o feito heróico, quase samuráico, digo eu em um neologismo, dos japoneses, que bateram seus adversário escandinavos no último jogo para conquistarem a segunda vaga do grupo e avançarem para a próxima fase, junto com os invictos holandeses. O Japão, assim como a Coréia do Sul, só tinha passado da primeira fase jogando em casa. Curioso notar que, daquele grupo do Japão, o H, nenhum outro time está presente nessa Copa: os russos sei que perderam nas eliminatórias para os eslovenos. Já o destino de belgas e dos já tradicionais tunisianos não me é sabido.

A atual campeã, Itália, além de Paraguai, Nova Zelândia e Eslováquia compuseram o Grupo F da Copa da África do Sul. Metade deste grupo – e respondem por isso Eslováquia e Nova Zelândia – não jogaram o mundial de 2002. Na verdade, a Nova Zelândia não jogava um mundial desde 1982, não cometo nenhum equivoco, e a Eslováquia desde 1990, quando ainda cantava musicas de irmandade com checos e formava a Checoslováquia, pátria de Kafka, Masopust e Navratilova. No entanto, os novatos – aliás, a Eslováquia é a única seleção a debutar em mundiais na África do Sul – acabaram por eliminar os vovôs da Itália com um emocionante 3-2 na última rodada. Juntam-se aos paraguaios, campeões do grupo (classificaram-se tal qual em 2002. No entanto, na ocasião ficaram em segundo, atrás da Espanha), restando aos italianos apenas darem as mãos para os neo-zelandeses, um time semi-amador que volta para casa sem saber o que é derrota – marcaram três pontos, e isso é um feito digno de aplausos.

Posso fazer uma explanação muito ampla sobre o Grupo G, da nossa querida seleção canarinha. Não sei se vai ser aprovada no difícil crivo do editor-chefe do blog, mas prossigo mesmo assim, seja o que Marcos quiser. Em 2002, o Brasil chegava ao mundial como a “Família Scolari”. Nem por isso, livre de questionamentos e uma polêmica: Felipão deixara no Brasil Romário, assim como Dunga deixou na baixada santista os jovens promissores do Santos, Neymar e Paulo Henrique. Mesmo que “o Brasil de Dunga” tenha vencido tanto a Copa América quanto a Copa das Confederações, há sérias dúvidas sobre sua performance na África do Sul. As principais acusações, o Brasil não joga mais como Brasil; tem a cara do técnico, carrancudo, a defesa reforçada e um ataque quase deficiente. Ouvi a mesma coisa quando Felipão armou o Brasil penta-campeão (e para o qual eu torci como nunca mais voltei a torcer) em um esquema com três zagueiros, Lúcio, Edmílson e Roque Júnior. A estréia do Brasil naquela Copa, contra a Turquia, não foi as mil maravilhas. Hasan Sas abriu o placar para os turcos, que não jogavam uma Copa desde 1954 e nunca mais voltaram a jogar. Mas Rivaldo, usando toda a malícia do brasileiro (e isso não é, necessariamente, uma coisa boa) provocou a expulsão de Alpay Ozalan. E Luisão, reserva, entrou e cavou um pênalti, fora da área que resultou no gol do camisa 10 para virar a partida e dar ao Brasil a primeira vitória. Ora, também com dificuldades o Brasil venceu a Coréia do Norte, nessa edição, pelo mesmo placar, embora em momento nenhum tenha ficado atrás no marcador. É sobre a Coréia do Norte também o segundo paralelo traçado: tal qual a China de 2002, é um país comunista – embora os chineses agora pratiquem o chamado “socialismo de mercado”. Por fim, o Brasil, nas duas ocasiões, encerrou sua participação na primeira fase contra velhos conhecidos. Em 2002, uma boa vitória por 5-2 sobre a Costa Rica, contra quem havia jogado em 1990 – e triunfado pelo placar mínimo, gol de Muller, que hoje é pastor evangélico. Em 2010, o Brasil finalizou sua participação na fase de grupos contra os patrícios portugueses. Contudo, o jogo foi mais morno, quase frio. Nada de gols para nenhum dos dois. Portugal não repetiu o vexame da Copa de 2002, quando ficou de fora em um grupo que tinha também Coréia do Sul, Polônia e Estados Unidos. Pelo contrário, classificou-se com louvor, marcando 7 gols e não sofrendo nenhum, e de quebra aplicando a maior goleada do mundial até agora – e uma marca difícil de ser superada nas fases seguintes: 7-0 sobre os filhos de Kim Jong-Il. Coréia do Norte e Costa do Marfim, por suas vezes, não jogaram na Coréia/Japão.

Terminando, o Grupo H, de língua predominantemente espanhola e Espanha, Honduras, Chile e Suíça. Desses, só a Espanha jogou em 2002. E foi o primeiro time a se classificar, após duas vitórias. Dessa vez foi um bocado mais complicado: perderam na primeira rodada, a maior zebra do mundial até agora, para a fraca e defensiva Suiça. Mas venceram Honduras e Chile, evitando assim uma zebra estratosférica e se classificaram em primeiro, fugindo assim do Brasil. O Chile, que fez uma boa campanha, classificou-se em segundo, tomando gol apenas em sua última partida, na derrota de 2-1 ante os antigos colonos. A Suíça venceu a Espanha, bateu o recorde de minutos sem tomar gol em uma Copa do Mundo – 5 jogos e uma porrada de minutos; o último tinha sido na derrota ante a Espanha, pelas oitavas de final da Copa de 1994 – mas não fez muito mais do que isso – apenas mais um pontinho, contra Honduras, em sua despedida. Honduras, aliás, marcou seu único ponto nessa Copa. Se despediu sem marcar gols ou deixar saudades. Ausente desde 1982, ninguém vai reparar se só voltar em 2038.

Assim sendo, teremos, nas oitavas de final:

Uruguai x Coreia do Sul

Estados Unidos x Gana

O melhor Uruguai desde Francescoli, no final dos anos 80, com chances de repetir sua última grande campanha (4º lugar em 1970), enfrentando a Coréia do Sul, que ficou ausente na segunda fase de 2006. No entanto, os sul-coreanos sabem eliminar times grandes (mesmo que seja com a ajuda da arbitragem): tiraram de seu caminho a Itália e deixaram a arbitragem tirar a Espanha, antes de perder para a Alemanha, em 2002. Um jogo que, se não empolga pela falta de astros (os jogadores mais conhecidos são Diego Forlán e Park Ji Sun – além de Lugano para nós brasileiros), vai ser, no mínimo, interessante. Assim como também seria legal ver a Celeste Olímpica voltar a brilhar. Nem que seja um brilhareco de bijuteria. Esse jogo acontece dia 26, sábado, em Port Elizabeth, às 11 da matina. O vencedor desse jogo enfrenta quem ganhar de Estados Unidos e Gana. Os americanos se classificaram de forma dramática, contra a Argélia e a arbitragem, com um gol aos 46 minutos de Landon Donovan, talvez o melhor jogador de soccer dos Estados Unidos, de todos os tempos. Enfrentam os solitários Black Stars, últimos sobreviventes africanos da Copa da África. Ganeses, embora tenha excelentes seleções de base – assim como quase todos os africanos – não empolgaram, e me fazem pensar que aquele futebol africano do começo dos 90 está morto. Marcaram dois gols, ambos de pênalti, contra Sérvia e Austrália, e assim se classificaram. Minha torcida estará com os americanos, também dia 26, em Rustemburgo, às 15:30.

Holanda x Eslováquia

Brasil X Chile

Pela primeira vez avançando com 100% de aproveitamento, a Holanda, uma das favoritas ao título – mais uma vez – enfrenta os algozes dos italianos, a Eslováquia, que conseguiu o feito de ir às oitavas já em seu primeiro mundial. Robben deve jogar para os laranjas, que não devem ter muito problema em despachar os eslovacos. Temos aí mais um jogo interessantíssimo de se ver, para saber se os holandeses se mantém favoritos ou sofrem mais um revés. Por isso, crianças, não deixem de acordar mais cedo dia 28 de junho. Jogando em Durban, vai ser interessante analisar o comportamento da Holanda, que pode, e provavelmente irá, enfrentar o Brasil nas quartas de final. Segundo meus cálculos, esse jogo deve ser às 11 da manhã também. Seguindo, no mesmo dia 28, em Johanesburgo, a seleção verde-amarela joga contra os fregueses chilenos. Partida interessante também, para se analisar o comportamento do time de Dunga em um mata-mata, assim como o comportamento do Chile de El Loco Bielsa. Pessoalmente, não creio que os chilenos vão impor qualquer resistência ao Brasil. Com antecedência, cravo: separem o dia 2 de julho para Brasil e Holanda, em Port Elizabeth. Caso vença essas quartas-de-final, dificilmente o Brasil perde o hexa.

Inglaterra x Alemanha

Argentina x México

“Duas guerras mundiais e uma Copa do Mundo”, é o refrão repetido pelo pai, com a cara devidamente pintada de branco com a cruz de São Jorge, que tenta fazer o filho absorver a melodia, naquela que certamente é uma das melhores propagandas com tema de Copa do Mundo. A referência, claro, é o clássico encontro entre Inglaterra e Alemanha, que decidiram o mundial de 1966, em favor dos ingleses, que jogavam em casa e com o árbitro no bolso (N. do A.: Essa final, 4-2 Inglaterra, foi a única final de Copa em que um jogador marcou três gols. Esse jogador, Geoff Hurst). Mesmo que a Inglaterra tenha passado no sufoco no Grupo C. Mesmo que a Alemanha também tenha encantado o mundo apenas na estréia, recomendo a vocês, fanáticos por esporte, não tirarem os olhos da televisão dia 27 de junho, domingo. Até digo para marcarem essa data com um círculo vermelho. Coloquem o celular para despertar, mas acordem e assistam a esse jogo. Pois além de ser um Inglaterra v. Alemanha, esse duelo não acontece desde 1990. E, na ocasião, os alemães despacharam os ingleses nos pênaltis, pelo direito de jogar a final. Portanto, mesmo com as crises internas e o fraco futebol, eu não contaria os ingleses fora da parada. Certamente vou me emocionar quando os dois selecionados entrarem em campo, a Alemanha com seu tradicional uniforme branco, e a Inglaterra com o belo modelito vermelho da Umbro apresentado nesse mundial. Não percam! Quiseram os deuses do futebol que os vencedores desse duelo enfrentassem, por uma vaga entre os quatro melhores times da competição, argentinos ou mexicanos. Repetindo 2006, Argentina e México se enfrentam em um clássico latino-americano. Em 2006, melhor para os argentinos, em Leipzig, 2-1. E, curiosamente, a Argentina enfrentou a Alemanha nas quartas-de-final. Saíram na frente, sofreram o empate e foram desclassificados nos pênaltis pelos donos da casa. Certamente o time de Maradona busca a vingança. Esse jogo será às 15:30, no mesmo dia 27, no estádio Soccer City, em Johanesburgo.

Paraguai x Japão

Espanha x Portugal

Por fim, Paraguai vs. Japão, dia 29 de junho, às 11 horas, em Pretoria, jogam para quebrar tabus. Nenhuma das duas seleções foi além das oitavas de final. O Paraguai teve três chances: em 1986, perderam para a Inglaterra; em 1998, os algozes foram os franceses, e em 2002, os alemães. Já os japoneses foram despachados, jogando em casa, pelos turcos, 1-0, também em 2002. Pouco acompanhei destas duas seleções, mas o Japão me parece um time arrumadinho – prova de que os nipônicos vêm mesmo aprendendo a jogar bola. Mas mesmo assim fico com o bom time paraguaio que, se não tem Cabañas em campo para auxiliá-los com tentos, o tem na mente: os jogadores disseram que jogariam pelo companheiro, baleado no começo do ano, no México. Fechando as oitavas de final, um duelo Ibérico: Espanha v. Portugal, dia 29, 15:30, na Cidade do Cabo. Os espanhóis – que assim como os holandeses chegam ao mundial como favoritos quase sempre – tentam espantar a sina de amarelões. A Fúria tenta ser furiosa de verdade, e mandar para casa o gajo Cristiano Ronaldo e seus amigos. No caso, a casa de Ronaldo é em Madrid. Ou seja, a Espanha tenta mandar Cristiano Ronaldo de volta para a Espanha. Wow. De qualquer maneira, Portugal marcou gols em apenas um jogo – e quantos! 7-0 sobre a Coréia Setentrional – mas passaram com os lençóis limpos também por Brasil e Côte d’Ivore (o governo apóia que o país seja assim chamado em todas as línguas. Não quero arrumar problemas diplomáticos para a Yugoslávia, portanto os denominarei a partir de agora como Côte d’Ivore). Um jogo incrível, certamente. Em 2002, a Espanha foi eliminada nas quartas, pela Coréia do Sul; em 2006, pela França, de virada, por 3-1. E em 2010? Poderão os espanhóis superar seus colegas de península para, enfim, confirmarem seu favoritismo? Por isso mesmo, está aí mais um jogo imperdível.

A Copa começa agora!

*Todos horários são relativos ao horário de Brasília (-3 GMT).

ST Team! 😉

Eu disse!

In World Cup on 17/06/2010 at 00:10

(Reprodução: AP Photo/Bernat Armangue)

Acabou a primeira rodada da Copa do Mundo dos Empates e a conclusão que eu tirei disso tudo?

Que eu definitivamente sou foda (hahahaha).

Ok, chutei a modéstia pra longe à la Felipe Melo, mas a verdade é que quase tudo o que eu previ, está acontecendo.

Você, espertinho que nunca lê o Sports Tour (e não sabe o que está perdendo), pode até checar meu último post.

O Grupo A, eu disse, é o mais equilibrado. De fato, as 4 seleções do grupo terminaram a primeira rodada com 1 ponto. E mais: disse que entre Uruguai e África do Sul, ia com os uruguaios, e a Celeste não me decepcionou.

No Grupo B, assumo que me enganei com a Grécia. Mas dificilmente vou errar com a Argentina. Vai passar fácil.

No Grupo C, mais um acerto! Inglaterra e Estados Unidos, de fato, disputaram a primeira colocação do grupo, empataram e agora o saldo de gols vai definir.

No Grupo D, acertei a Alemanha, mas a Sérvia ficou devendo. Eu disse que Gana sem Essien não era a mesma, e não é mesmo. Entretanto, no confronto direto, 1 gol de pênalti e a vitória sobre os sérvios.

Grupo E: a Holanda não me decepcionou. E eu apostei na Dinamarca, que deve mesmo disputar a segunda vaga com o Japão.

No Grupo F, eu disse a vocês. O grupo é fraco e em grupos fracos os empates predominam. Resultado? Todos com 1 ponto. Mas Itália e Paraguai devem passar.

Grupo G: O Brasil venceu, mas não convenceu. Ok, diga-me algo que eu não sei. Bem, o que você não sabe e nem eu, é quem vai ficar com a segunda vaga. Indefinido.

No Grupo H, meu segundo grande erro. Mas convenhamos, este foi um erro global! A Espanha jogou bem, muito bem, mas perdeu para a Suíça.

Nos últimos 5 jogos em Copas do Mundo a Suíça não tomou sequer um gol, macumba das brabas.

Sobre a Espanha? Uma bobeada e perdem a vaga num empate com os chilenos.

Mas ainda acho que passam em segundo, e podem, logo nas oitavas, enfrentar o Brasil.

Bem, esperamos que a segunda rodada seja mais animadinha. Por enquanto poucos gols e nenhum artilheiro. Ou todos que marcaram são artilheiros? O que você preferir.

Sim, Forlan fez 2 gols hoje, mas estou fazendo um resumo da primeira rodada, mané!

Agora que eu já consegui fazê-los perder um tempo precioso de suas vidas lendo este post desnecessário e prepotente, deixo aqui minhas avaliações finais sobre a primeira rodada da Copa do Mundo dos Empates. (hehehe)

Nota 10

Para a seleção alemã, para o futebol chileno, para o Tae Se (o norte coreano que chorou no hino) e para o Gerrard, por ser o melhor jogador da Inglaterra e porque eu quero que ele receba o 10. Além disso, como a foto do post é dele, eu precisaria mencioná-lo em algum lugar por aqui (rs).

Nota 0

Para a seleção francesa (eu disse, não?), para os atacantes, para o ‘Cala Boca Galvão’ no Twitter (piada sem graça), para as vuvuzelas, para a TV inglesa que não transmitiu o gol do Gerrard, para o Kaká e para a FIFA, simplesmente porque eu não gosto da FIFA.

Eu fico por aqui e volto após a segunda rodada com mais uma análise extremamente inconveniente e descartável do Mundial.

ST Team! 😉