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Um Asterisco e uma Vergonha

In F1 on 27/07/2010 at 00:02

Ferrari ends Massa's hope to win

Um asterisco e uma vergonha. É assim que eu vou marcar o GP da Alemanha no meu calendário da F1 de 2010.

Do mesmo jeito do GP da Áustria de 2002. Do mesmo jeito de Mônaco 2006, Cingapura 2008, Brasil 2007. Com um asterisco vermelho e uma certa revolta. De um jeito que, para sempre, quando eu olhar para o passado e as corridas do campeonato de 2010, eu lembre exatamente que aconteceu algo extraordinário naquele dia. Algo que transpassou o limite do esporte para entrar no âmbito da sujeira. Assim, Hockenheim-10 entra num hall da infâmia, tomando o caminho imediatamente oposto ao da etapa alemã de 2009 – a qual, exclusos a penalidade e vitória de Mark Webber, não lembrava sequer o que tinha acontecido.

Ao contrário de Zeltweg, quase uma década atrás, quando tinha apenas 9 anos (a corrida foi antes do meu aniversário, tenho certeza) e nem acompanhava de perto o circuito da F1, a corrida de Hockenheim – no circuito mutilado por Tilke, que não tem nem de longe a mesma emoção do antigo, que passava no meio da Floresta Negra – vai ficar gravada, vívida, na minha memória.

O que era só uma corrida chata, que mostrava a falta de cérebro de Sebastian Vettel, jogando fora mais uma vitória certa, como fora na última etapa, em Silverstone, adquiriu um tom feio. O alemão, correndo em casa, saía da pole. As duas Ferrari, de ALONSO e massa (erros tipográficos propositais) vinham em segundo e terceiro. E o resto do grid é dispensável, porque a verdade é que a corrida se centrou apenas nesses três nomes.

Vettel porque preferiu muito mais espremer ALONSO do que tentar impulsionar seu bólido Red Bull para a primeira curva. massa porque, se por um lado foi um gigante na largada, aproveitando a bobeira do jovem alemão para pular na ponta pela primeira vez em muito tempo, se apequenou no decorrer da corrida. E ALONSO merece seu destaque. Afinal, não é qualquer um – principalmente alguém que já foi campeão do mundo – que consegue se mostrar tão hipócrita e mau caráter quanto o “Príncipe das Astúrias”, o menino do Santander, o melhor piloto espanhol de todos os tempos – títulos que o enobreceriam, mas na verdade só fazem com que seu comportamento se torne mais baixo.

Ao final da curva 1, massa mantinha seu Ferrari-Santander em primeiro. ALONSO, com o vermelinho número 8 vinha em segundo e Vettel, o idiota, em terceiro. Hamilton vinha em quarto, seguido por Webber, Button e os demais, que estavam tão atrás na corrida quanto no campeonato. Ao final da curva 2, massa manteve-se em primeiro. Da três, idem. Da primeira volta também. Da segunda, terceira e quarta, ibidem.

Não foi até a décima oitava volta que massa teve sua posição ameaçada por ALONSO ou Vettel, o gênio incompreendido. Tampouco Vettel, o pensador era ameaçado por Hamilton. E, se a Bridgestone prometia uma corrida animada tal qual a do Canadá, com compostos opostos, sua intenção falhava. E, se a corrida poderia ficar animada porque São Pedro prometia, não ficou, porque não choveu. E, chata, a carreira se desenrolava até seu final, na volta 67.

A emoção veio de uma forma diferente. Nas trocas, ALONSO foi chamado primeiro para a Ferrari-Santander. Na volta seguinte, massa, o líder trocou sua borracha mole pelos compostos mais duros. E assim rodariam 50 voltas, até o final do Grande Prêmio, que não teve nada de grande e premiou apenas mais um ato estúpido da Ferrari-Santander, a primeira equipe ítalo-espanhola da F1.

massa perdeu sua vantagem para ALONSINHO, bicampeão, príncipe na Espanha e Rei do Santander – consequentemente, Rei da Santander-Ferrari, equipe de F1. Mas massa tem fibra. massa é brasileiro e massa tem ‘los cojones’, pra não descer o nível. Não existe essa de privilegiar pilotos na Ferrari. Não, de fato, provavelmente não tinha mesmo na Ferrari. Mas na Ferrari-Santander tem.

E ALONSINHO, influente na FIA, no Santander e na Espanha, esbravejava com seu engenheiro-fisioterapeuta. “É ridículo”, dizia, sobre massa, o Sancho Pança de DOM ALONSO, que insistia em colocar o carro na frente dos bois e se manter em primeiro.

Os giros passavam e massa, oitavo colocado no campeonato e sem nenhum resultado expressivo na temporada – mesmo tendo liderado a contenda após a Malásia – seguia liderando a esparsa passeata, com ALONSO, primeiro vencedor do ano e quinto no campeonato, em segundo, colado no seu aerofólio traseiro branco, que anuncia, em letras vermelhas como a Ferrari, o nome Santander. Não coincidentemente.

Volta 49. Faltavam 18 para o fim do grande prêmio da Alemanha (me dei o direito de deixar grande prêmio em minúsculas. Já disse ali em cima), e ALONSO, que estava achando tudo aquilo ridículo, resolveu mostrar ao mundo o que era ridículo mesmo. Berrou no rádio, esperneou e deve ter dito: “Sou ALONSO, Príncipe na Espanha. Me dêem o que é meu”. E Domenicalli, líder dos Blanco-rojos, falou com o co-proprietário da equipe. E recebeu o aval e a instrução. Chamou Rob Smeadley, engenheiro de massa de canto e sussurrou algumas palavras em seu ouvido. E Smeadley entrou ao vivo, para massa e o mundo: “ALONSINHO…ESTÁ…MAIS…RÁPIDO…DO QUE… VOCÊ. ENTENDEU?”

massa entendeu. Nesse momento, o momento em que ele mostrou que é um ser humano, racional e capaz de compreender essa mensagem, Felipe Massa, vice-campeão de 2008, 11 vezes vencedor de Grand Prix, foi relegado pela Ferrari-Santander a massa, o submisso. E Fernando Alonso, bicampeão da categoria, 22 vezes vitorioso em Grand Prix, o último a bater Schumacher, virou ALONSO, um nome em maiúsculas, que se sobrepõe ao de seu companheiro.

massa, o amigão, diminuiu. ALONSO, o Rei, passou. E um asterisco vermelho se fez no meu calendário de 2010 da Fórmula 1.

Um asterisco vermelho. E uma vergonha.

Pedro Liguori, colaborador do SportsTour desde que Massa tinha dignidade, é fã inveterado da McLaren.

ST Team! 😉

D de Damon Hill

In F1 on 17/05/2010 at 19:00

Photo: Google Images

Quem curte Fórmula 1, assim como o blogueiro aqui sentado redigindo este post, provavelmente assistiu o GP de Monaco neste fim de semana. Se não assistiu, ao menos ouviu falar.

Bem, um resumo da parte que não interessa: Webber venceu, a RBR assumiu a liderança do Mundial de Construtores e colocou seus dois pilotos empatados no Mundial de Pilotos. Pronto.

Agora, você, espertalhão que não assistiu a corrida, me pergunta: Mas se essa parte é a que não importa, qual parte realmente importa? O desempenho da Hispania? A batida de Jarno Truli e do indiano Chandhok?

Não. A única parte que realmente interessa e que realmente deveria ser discutida nesta corrida é a punição do alemão Michael Schumacher, que custou 20 segundos na classificação geral da corrida e tirou do piloto os 8 pontos conquistados merecidamente.

Mais um resuminho pra você que não estava acompanhando a chatíssima corrida no Principado este fim de semana.

Fernando Alonso, espanhol, largou em último devido a uma burrada cometida no treino que antecede o treino oficial de classificação. Bateu, a Ferrari não conseguiu arrumar o carro em tempo suficiente e ele nem sequer entrou na pista para marcar um tempo.

Bla bla bla… vamos ao que interessa.

Na corrida, graças a uma estratégia interessante da Ferrari, Alonso chega à última volta na sexta colocação. Schumacher é o sétimo, Rosberg o oitavo.

Última volta. Safety Car na pista. Os pilotos só manteriam as posições e Mark Webber seria declarado o vencedor.

O problema é que embora a regra não permita ultrapassagem com o Safey Car na pista, o bendito artigo 40.13 que você encontra em qualquer outro site que não tenha preguiça de mencioná-lo, a direção de prova deu bandeira verde, apontou “SC in this lap” (para traduzir, consulte o Google) e Schumacher aproveitou uma bobeada de Alonso (bobeada é pouco, foi erro mesmo), ultrapassou-o e ficou com a sexta posição. Rosberg também tentou, mas o espanhol fechou a porta.

Justíssimo.

Ok, a regra diz que bla bla bla… Sim, concordo. A mesma regra bla bla bla diz que não se deve mostrar bandeira verde na última volta se a corrida vai acabar com SC.

Schumacher provavelmente sabia disso, mas não tinha nada a perder.

Iria tirar a diferença de Rosberg no campeonato, que iria ser de 54 a 30 – hoje é de 56 a 22 – mas só. Duvido muito que o alemão estava preocupado com os pontos, o que ele quer mesmo é se divertir. E neste caso ele se divertiu mesmo. Só não esperava ter do outro lado da história, o que analisaria a ultrapassagem na pista, um de seus maiores desafetos: Damon Hill.

Ah, agora sim o nome do post faz sentido, certo?

Errado. Na verdade eu estava com preguiça de criar um nome mais bacana (risos).

Enfim, era Schumacher versus FIA (Ferrari International Association) e Damon Hill, o mesmo chorão que perdeu o título em 1994 quando Michael Schumacher sem a menor das intenções jogou seu carro contra o do inglês. (risos)

O que você imaginou que fosse acontecer?

Schumacher punido e Damon Hill tem a sua vingança.

O inglês tirou 8 pontos do alemão no campeonato. Ajudou Alonso (outro rival de Schumacher) e Rosberg (companheiro de equipe de Schumacher) e… só. O título de 1994 continua nas mãos do heptacampeão.

Valeu a pena, Hill?

O Schumacher riu.

O Ministério da Internet adverte: piadas infames como esta podem ser prejudiciais à sua saúde.

ST Team! 😉